{"id":742968,"date":"2025-12-18T06:00:00","date_gmt":"2025-12-18T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/investnews.com.br\/?p=742968"},"modified":"2025-12-17T15:58:01","modified_gmt":"2025-12-17T18:58:01","slug":"por-que-donald-trump-tem-poupado-a-chevron-do-bloqueio-de-petroleiros-na-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/investnews.com.br\/the-wall-street-journal\/por-que-donald-trump-tem-poupado-a-chevron-do-bloqueio-de-petroleiros-na-venezuela\/","title":{"rendered":"Por que Donald Trump tem poupado a Chevron do bloqueio de petroleiros na Venezuela"},"content":{"rendered":"\n
A Chevron<\/a> se mant\u00e9m como uma das \u00faltimas grandes empresas a transportar petr\u00f3leo venezuelano <\/strong>depois que os Estados Unidos apreenderam, na semana passada, um navio petroleiro sancionado que supostamente levava o petr\u00f3leo do pa\u00eds para o mercado ilegal.<\/p>\n\n\n\n A amea\u00e7a de novas apreens\u00f5es pelos EUA desorganizou o tr\u00e1fego, antes intenso, de embarca\u00e7\u00f5es da chamada \u201cfrota fantasma\u201d, que levavam o petr\u00f3leo venezuelano para a China e Cuba. V\u00e1rios petroleiros est\u00e3o parados em portos da Venezuela<\/a>, enquanto outros passaram a evitar a regi\u00e3o, segundo dados de rastreamento de navios.<\/p>\n\n\n\n Na ter\u00e7a-feira, o presidente Donald Trump ordenou um bloqueio total de todos os navios petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela, intensificando a campanha de press\u00e3o de seu governo contra o l\u00edder venezuelano Nicol\u00e1s Maduro<\/a>.<\/p>\n\n\n\n Para a Chevron, por\u00e9m, tudo segue como de costume. A empresa continua enviando petroleiros para a costa do Golfo dos Estados Unidos, sem que suas opera\u00e7\u00f5es tenham sido afetadas at\u00e9 agora pela escalada das tens\u00f5es entre Trump e Maduro.<\/p>\n\n\n Leia tamb\u00e9m: <\/p>\n \n Um dia depois de as for\u00e7as americanas capturarem o superpetroleiro Skipper, da frota fantasma, dois navios transportando petr\u00f3leo para a Chevron deixaram o porto de Bajo Grande, no Lago de Maracaibo, na Venezuela, ambos com destino aos EUA, segundo dados do site TankerTrackers.com.<\/p>\n\n\n\n Um porta-voz da Chevron afirmou que as opera\u00e7\u00f5es da empresa na Venezuela continuam sem interrup\u00e7\u00f5es e em conformidade com a lei. Ele classificou a presen\u00e7a da companhia no pa\u00eds como um fator de estabilidade para a economia local e direcionou quest\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a a autoridades dos EUA.<\/p>\n\n\n\n \u201cEles permaneceram no mercado venezuelano nos bons e maus momentos, enfrentando muitas condi\u00e7\u00f5es adversas e fortes ventos contr\u00e1rios\u201d, disse Clay Seigle, pesquisador s\u00eanior do Center for Strategic and International Studies<\/em>. \u201cDe certa forma, a Chevron est\u00e1 indo al\u00e9m do esperado na contribui\u00e7\u00e3o para o futuro da Venezuela.\u201d<\/p>\n\n\n\n A Chevron h\u00e1 muito enfrenta cr\u00edticas por operar na Venezuela, mas demonstrou uma not\u00e1vel capacidade de permanecer no pa\u00eds, onde atua h\u00e1 mais de 100 anos. Segundo cr\u00edticos, suas opera\u00e7\u00f5es acabam beneficiando Maduro, a quem os EUA acusam de liderar um cartel de narcotr\u00e1fico e cujo regime depende da receita do petr\u00f3leo.<\/p>\n\n\n\n Pela licen\u00e7a que a Chevron possui para operar na Venezuela, cerca de metade do petr\u00f3leo extra\u00eddo por ela e pela estatal PDVSA vai para o governo Maduro, que tenta monetizar essa produ\u00e7\u00e3o vendendo o petr\u00f3leo para China ou Cuba por meio de uma frota paralela. Os EUA mant\u00eam san\u00e7\u00f5es que pro\u00edbem empresas de negociar petr\u00f3leo venezuelano; a licen\u00e7a da Chevron \u00e9, na pr\u00e1tica, uma exce\u00e7\u00e3o a essa regra.<\/p>\n\n\n\n Em entrevista durante um evento do Wall Street Journal<\/em> no in\u00edcio do m\u00eas, o CEO da Chevron, Mike Wirth, afirmou que as regras sob as quais a empresa opera n\u00e3o permitem o pagamento de impostos ou royalties \u00e0 Venezuela com a receita obtida com a venda do petr\u00f3leo. \u201cElas s\u00e3o muito restritivas em termos do que podemos fazer\u201d, disse ele.<\/p>\n\n\n\n A Chevron e suas joint ventures, que empregam cerca de 3.000 pessoas, operam na Faixa do Orinoco, regi\u00e3o rica em petr\u00f3leo pesado. A produ\u00e7\u00e3o desses campos subiu para cerca de 300 mil barris por dia desde que o governo Biden concedeu \u00e0 Chevron uma licen\u00e7a para retomar as opera\u00e7\u00f5es no pa\u00eds, no fim de 2022. Isso representa cerca de um ter\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o total da Venezuela \u2014 e menos de 10% da produ\u00e7\u00e3o global da Chevron.<\/p>\n\n\n\n Se o transporte de petr\u00f3leo sancionado da Venezuela ficar paralisado por muito tempo, uma importante fonte de receita de Maduro pode secar. As vendas de petr\u00f3leo representam h\u00e1 anos mais de 90% das exporta\u00e7\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n \u201cA Venezuela est\u00e1 completamente cercada pela maior armada j\u00e1 reunida na hist\u00f3ria da Am\u00e9rica do Sul\u201d, disse Trump na ter\u00e7a-feira em uma publica\u00e7\u00e3o na rede Truth Social. \u201cEla s\u00f3 vai crescer, e o choque para eles ser\u00e1 como nada que j\u00e1 tenham visto at\u00e9 que devolvam aos Estados Unidos todo o petr\u00f3leo, terras e outros ativos que anteriormente roubaram de n\u00f3s.\u201d<\/p>\n\n\n\n Evanan Romero, consultor de energia sediado em Houston e ex-vice-ministro do Petr\u00f3leo da Venezuela, afirmou que um bloqueio do petr\u00f3leo significaria o fim do regime de Maduro.<\/p>\n\n\n\n \u201cSe voc\u00ea j\u00e1 cortou a receita do narcotr\u00e1fico e depois elimina o petr\u00f3leo, estamos falando de um colapso final. Se estiver capturando navios, esses caras t\u00eam poucos dias\u201d, disse Romero, que assessora a l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o Mar\u00eda Corina Machado em um plano de recupera\u00e7\u00e3o do setor de petr\u00f3leo.<\/p>\n\n\n\n Autoridades americanas afirmaram que haver\u00e1 mais apreens\u00f5es de navios na tentativa de for\u00e7ar a sa\u00edda de Maduro do poder, esfor\u00e7o que envolve um grande refor\u00e7o militar no Caribe. Trump disse que os \u201cdias de Maduro est\u00e3o contados\u201d, embora n\u00e3o tenha se comprometido publicamente com um pr\u00f3ximo passo.<\/p>\n\n\n\n Maduro classificou a apreens\u00e3o do petroleiro na semana passada como um ato de pirataria naval dos EUA. A Casa Branca afirmou que o navio Skipper, de bandeira da Guiana, foi alvo da a\u00e7\u00e3o por estar sancionado por envolvimento no transporte de petr\u00f3leo iraniano.<\/p>\n\n\n\n Outros sete petroleiros nos portos venezuelanos de Jos\u00e9 e Amuay est\u00e3o parados h\u00e1 quase uma semana desde a apreens\u00e3o, segundo Samir Madani, do TankerTrackers.com.<\/p>\n\n\n\n Outros superpetroleiros tamb\u00e9m passaram a evitar a Venezuela. Cinco navios que se dirigiam ao pa\u00eds mudaram de rota e seguiram para outros portos nos \u00faltimos quatro ou cinco dias, mostram os dados. Um deles transportava nafta russa \u2014 um diluente usado pela Venezuela para misturar ao petr\u00f3leo pesado quando deu meia-volta no Oceano \u00cdndico; os outros estavam vazios.<\/p>\n\n\n\n Analistas afirmam que o fluxo de caixa de Maduro j\u00e1 foi afetado, pois o pa\u00eds precisou oferecer descontos no pre\u00e7o de seu petr\u00f3leo. Entre 1\u00ba de setembro e 15 de dezembro, a Venezuela exportou quase 800 mil barris por dia, sendo cerca de 81% para a China, 17% para os EUA e cerca de 2% para Cuba, segundo dados do TankerTrackers.com.<\/p>\n\n\n\n Ainda assim, o regime de Maduro j\u00e1 sobreviveu a condi\u00e7\u00f5es mais duras no passado. Durante a pandemia de Covid-19, os pre\u00e7os do petr\u00f3leo pesado venezuelano ca\u00edram para uma fra\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis atuais, e a produ\u00e7\u00e3o do pa\u00eds despencou para menos da metade do n\u00edvel atual. Mesmo assim, Maduro permaneceu no poder.<\/p>\n\n\n\n \u201c\u00c9 uma escalada que, se virar um padr\u00e3o, pode impactar significativamente a Venezuela\u201d, disse Francisco Monaldi, diretor do programa de energia para a Am\u00e9rica Latina do Baker Institute for Public Policy, da Universidade Rice. \u201cEsta n\u00e3o \u00e9 a pior press\u00e3o que Maduro j\u00e1 enfrentou \u2014 pelo menos ainda n\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n Escreva para Collin Eaton em collin.eaton@wsj.com, Benoit Faucon em benoit.faucon@wsj.com e Kejal Vyas em kejal.vyas@wsj.com<\/em>.<\/p>\n\n\n\n\n