Uma grande virada em relação a 2024, quando o Ibovespa em dólar tombou 30%. E algo comparável à alta do ouro (63% em dólar), cantada em verso e prosa pelo noticiário internacional há meses.
Mas o caso brasileiro não é um fenômeno isolado. Longe disso. Várias bolsas de países da série B (e C, e D) das finanças globais têm desempenhos semelhantes. E 12 delas estão na nossa frente. Veja aqui:
O maior destaque na tabela é para as bolsas da África subsaariana. Gana e Zâmbia lideram o ranking; além disso, Nigéria e Quênia compõem o top 20.
Outra participação relevante é a do Leste Europeu. Hungria, República Tcheca, Eslovênia e Polônia figuram com ganhos superiores aos do Ibovespa.
Enquanto isso, a bolsa americana fica em mais modestos 17%. Ainda assim, é o terceiro ano seguido em que o S&P 500 deve fechar o ano em dois dígitos – depois de marcar 24% em 2023 e 23% em 2024.
Mas o momento é, sem dúvida, dos times pequenos. Só fica a pergunta: ainda há lenha para queimar? Vamos ver aqui.
Se você somar o preço de todas as ações da B3 e dividir pelo lucro que as empresas deram nos últimos 12 meses, vai dar 11,5. Esse é o P/L (preço sobre lucro) atual do Ibovespa – e a forma mais eficaz de dizer se um índice está “caro” ou não.
Não existe um número mágico. Para saber se 11,5 é ok ou não você precisa bater com o P/L de outras bolsas e, ainda mais importante, com a média dos últimos muitos anos. Nosso resultado é baixo na comparação com o S&P 500, que opera num P/L de 30. Mas já está acima da média brasileira dos últimos 20 anos, que foi de 10,5%.
Pelo histórico, portanto, a bolsa já saiu daquele terreno em que pode ser chamada de “barata” – a não ser que o lucro das empresas suba mais rápido nos próximos meses do que o preço das ações, o que puxa o P/L para baixo. A ver o que 2026 trará.