Mais cedo hoje, a companhia informou ter aprovado um aumento de capital social com uma nova emissão de ações em uma oferta pública para investidores profissionais e acionistas. O capital social da empresa saiu de R$ R$ 16,77 bilhões para R$ 21,76 bilhões – um aumento de 30%.
Como o aumento ocorreu por meio da emissão de novas ações, o número de papéis em circulação cresceu na mesma proporção. Com mais ações disputando o mesmo valor econômico da empresa, o preço unitário tende a se ajustar – movimento que explica a queda da mesma proporção no pregão de hoje.
Em janeiro, a empresa havia passado por uma situação parecida, quando aprovou um aumento de capital de R$ 7,44 bilhões, com emissão de 1 trilhão de novas ações. Na época, por causa da massiva diluição dos investidores, a queda do papel chegou a atingir 85%.
Os papéis da Azul têm baixa liquidez, alta volatilidade e elevado risco e quem os negocia está interessado em ganhar dinheiro justamente por causa desses abruptos movimentos e pela assimetria de risco e de preços.
O preço em tela fechou hoje em R$ 162,50. Vale lembrar que esse preço corresponde a um lote de 10 mil papéis, o que equivale a R$ 0,01625 por ação.
Esse tipo de estratégia tenta se aproveitar de alguns “gatilhos”, desde investidores que acompanham o noticiário na tentativa de identificar uma tendência para os papéis, até posições técnicas, que apenas envolvem a escolha de um preço de entrada e um preço de saída que o investidor avalia como adequados à sua capacidade de absorver perdas.
Toda a movimentação forte dos papéis da empresa acontece em um contexto de reestruturação pelo Chapter 11, a lei de falências dos Estados Unidos, que prevê a reorganização das dívidas de uma companhia ainda operante com supervisão judicial.
No mais novo desdobramento, a Azul confirmou ontem ter assinado aditivos em acordos de investimento com a American Airlines e a United Airlines para uma injeção de US$ 200 milhões na empresa. Os aportes devem acontecer após a conclusão de algumas etapas, como a aprovação de órgãos regulatórios no Brasil e uma oferta pública de ações prevista para amanhã (20).
O avanço do processo de reestruturação em si é um evento positivo, mas os chamados fundamentos da companhia – sua qualidade operacional, lucratividade e perspectivas operacionais e financeiras – tiveram relevante deterioração desde a pandemia da Covid-19, em 2020, quando o cenário macroeconômico e a cadeia de suprimentos de aviação foram muito prejudicados.