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O dinheiro estrangeiro voltou às Bolsas da América Latina – pelo menos por enquanto

Rali é puxado por fluxo externo, mas o cenário ainda inspira cautela

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As Bolsas da América Latina voltaram a atrair investidores globais, e a alta pode continuar, mas depende de alguns “se”.

As ações brasileiras, que representam cerca de 60% do valor de mercado da região, subiram quase 25% neste ano e cerca de 50% nos últimos 12 meses. O México, segundo maior mercado latino, também vive forte rali.

O movimento é mais reflexo de mudanças no humor global do que de fatores domésticos. Em janeiro, investidores destinaram aos emergentes o dobro do fluxo visto em todo 2025, apostando em dólar mais fraco e buscando proteção contra riscos nos EUA, diz Paulina Amieva, gestora do fundo América Latina da T. Rowe Price.

Dentro do universo emergente, a América Latina funciona como contraponto às bolsas asiáticas dominadas por tecnologia. A região oferece exposição a bancos e commodities — setores vistos como alternativa em carteiras globais, diz Malcolm Dorson, estrategista da Global X.

O Brasil tem um fator adicional de atração: juros. O Banco Central elevou a taxa básica a 15%, enquanto outras economias afrouxaram a política monetária. Com inflação abaixo de 5%, o mercado espera cortes de até três pontos percentuais no próximo ano.

Isso poderia destravar uma economia hoje comprimida pelos juros altos, diz Alejo Czerwonko, diretor de investimentos para Américas emergentes do UBS. Empresas ligadas ao consumo interno, como Localiza, Raia Drogasil e Itaú Unibanco, estão entre as principais apostas.

Alguns analistas veem espaço para cortes ainda maiores. Para Paulina, os juros reais elevados permitem reduções de até cinco pontos percentuais.

Os riscos permanecem. No Brasil, a eleição presidencial de outubro adiciona incerteza fiscal ao cenário. Investidores avaliam que, independentemente do resultado, o próximo governo terá de lidar com ajustes nas contas públicas.

O México enfrenta um teste diferente. A revisão do acordo comercial com os EUA e o Canadá, prevista para este ano, é crucial: exportações para os Estados Unidos representam quase 30% do PIB mexicano.

O mercado aposta que a interdependência econômica entre os países favorecerá a renovação do acordo, com mudanças limitadas.

Outro possível destaque na região é a Argentina. Após anos de crise econômica, o país voltou ao radar com o avanço de reformas pró-mercado. O ETF Global X MSCI Argentina subiu cerca de 25% desde as eleições de meio de mandato no ano passado.

Entre os favoritos de analistas está a petroleira Vista Energy, focada na formação de xisto de Vaca Muerta.

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“A América Latina voltou ao mapa depois de uma década fora do radar”, diz Czerwonko, do UBS. O terreno, porém, ainda pode ser acidentado.

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