Newsletter

CDBs emitidos em março pagaram taxas maiores – e a culpa é da turbulência global

Remuneração média dos títulos bancários cresce em março com incerteza sobre inflação e juros

Publicidade

Um cenário global mais turbulento trouxe dúvidas para o tamanho do corte de juros no Brasil – e as taxas dos CDBs emitidos nesse intervalo passaram a refletir uma nova realidade.

Ao longo de março, a média da remuneração das emissões de bancos pequenos e médios com vencimento entre três e 12 meses foi de 102,2% do CDI, contra 101,4% em fevereiro. Já entre os bancos grandes, as taxas oferecidas aos investidores ficaram em 98,3% do CDI, em média, em linha com as emissões do mês anterior.

Em praticamente todos os prazos das emissões dos pequenos, médios e grandes bancos houve aumento das taxas (veja aqui as emissões de fevereiro).

Confira abaixo as taxas médias dos CDBs de acordo com o prazo de vencimento e o porte de instituição financeira. O levantamento foi produzido pela Quantum Finance a pedido do InvestNews.

Prazo Pequenos e médios Grandes
3 meses 103,10% 99,79%
6 meses 102,05% 101,00%
12 meses 101,74% 95,94%
24 meses 102,58% 100,10%
Fonte: Quantum Finance.

O movimento no mercado, embora pareça marginal, é uma resposta às crescentes preocupações de que os choques dos preços de insumos, da energia e dos combustíveis com a guerra do Irã elevem a inflação global.

Com preços mais altos lá fora e a chance da inflação no Brasil aumentar, o Banco Central tem menos espaço para cortar os juros de forma agressiva — e o mercado passa a incorporar essa leitura, projetando uma política monetária mais conservadora. Os CDBs novos, portanto, chegam ao mercado refletindo isso.

A emissão com maior taxa no mês passado foi do Banco BMG, com 111% do CDI, enquanto a Caixa Econômica emitiu títulos a 90% do CDI.

Entre os títulos bancários que pagam DI+, apenas bancos pequenos e médios fizeram novas emissões, com uma taxa média de CDI + 0,37% para vencimentos entre três e 12 meses. É um percentual levemente abaixo das emissões em fevereiro, quando estavam em CDI + 0,39%.

Nos CDBs que pagam um percentual do CDI – como 102% da taxa –, o rendimento acompanha diretamente a variação do indicador. Já nos títulos indexados ao CDI+, o investidor recebe o CDI integral mais um prêmio adicional fixo, como no caso de CDI + 0,37%.

Entre as letras de crédito, março contou com novas emissões apenas de títulos de recebíveis do agronegócio, as LCAs. Foram 641 novos papéis com vencimento entre 6 e 24 meses colocados no mercado, com remuneração média de 87% do CDI, também em linha com o mês anterior.

Esses produtos costumam ficar nessa faixa porque oferecem isenção de imposto de renda. Um CDB é tributado no momento do resgate de acordo com o prazo da aplicação – ou seja, ganhar 100% do CDI garante um retorno líquido inferior a isso. Em um produto isento que pague 87% do CDI, esse percentual chega inteiro ao bolso do investidor.

Publicidade
Exit mobile version