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Cogna, a ação que mais sobe no ano, já acumula alta de quase 300% em 12 meses

A alta recente reflete uma dinâmica mais positiva da receita líquida e revisões para cima nas projeções de lucro líquido ajustado

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A Cogna (COGN3) “subiu de vida”, como se dizia antigamente. A ação deixou para trás o status de candidata a “penny stock” – quando o papel vale menos do que R$ 1 – e já acumula uma alta de quase 300% em 12 meses.

Só em 2026, o papel sobe cerca de 50%, o melhor desempenho da B3 até agora, cotado nesta terça-feira a R$ 4,59. Ou seja, consolidou-se na posição de um dos melhores alunos da bolsa, se for levada em conta só a valorização, claro.

Por trás dessa disparada está uma combinação de melhora operacional e mudança na forma como o mercado enxerga a empresa. Segundo o Itaú BBA, a alta recente reflete uma dinâmica mais positiva da receita líquida e revisões para cima nas projeções de lucro líquido ajustado.

Parte do momento positivo da Cogna – dona de marcas como Kroton, Saber, Vasta e Somos – vem justamente da estratégia de captação de alunos na Kroton, braço de ensino superior que reúne nomes como a Anhanguera. A empresa passou a adotar um modelo de parcelamento da matrícula e, na prática, conseguiu manter o preço médio e aumentar o volume de novos estudantes.

Outras unidades também ajudam. A Saber – a vertical do grupo dedicada ao ensino básico e que reúne várias empresas, incluindo a Red Ballon e as editoras Ática, Saraiva e Scipione – deve se beneficiar da sazonalidade positiva do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD). Além das vendas de conteúdo para o ensino fundamental, a Saber vai atender o complemento das aquisições de livros para o ensino médio referentes a 2025, o que deve dar um “up” nas receitas.

Com esse cenário, o mercado passou a aceitar pagar mais pela ação. Em termos técnicos, isso significa que o papel foi “reprecificado”: hoje, a Cogna é negociada a cerca de 9 vezes o lucro esperado para 2026 – ainda um múltiplo considerado baixo para uma empresa que voltou a crescer.

O Itaú BBA projeta que a Cogna terá receita líquida de R$ 7,9 bilhões em 2026, alta de 11% em relação a 2025, e um Ebtida – o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – de R$ 2,5 bilhões para este ano.

Para entender a virada, é preciso olhar para trás

A história da Cogna – e do setor de educação como um todo – passou por três fases bem distintas nos últimos 15 anos.

Entre 2010 e 2014, o setor viveu um boom, impulsionado pelos financiamentos estudantis baseado nos recursos do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES). O problema é que as companhias ficaram dependentes demais dessa estrutura.

De 2015 a 2019, veio o tombo: o encolhimento do programa derrubou receitas e deixou as empresas com estruturas de custos pesadas demais.

Nesse período, o setor sofreu com a chamada alavancagem operacional negativa: a receita até crescia em alguns casos, mas os custos subiam mais rápido, comprimindo margens e destruindo lucro.

Entre 2020 e 2023, a pandemia acelerou o ensino a distância. Isso ajudou no volume, mas derrubou os tíquetes médios, ou seja, o quanto as companhias recebem por aluno e pressionou ainda mais a rentabilidade.

Diante desse cenário, as empresas mudaram de estratégia. Segundo o BTG Pactual, o foco passou a ser: reduzir dívidas, cortar custos, reservar caixa e aumentar a exposição a cursos premium, como medicina.

A Cogna fez o dever de casa. Enxugou a estrutura, mudou o posicionamento, criou novas plataformas digitais, desenvolveu soluções para o setor público, apostou no segmento de medicina e, principalmente, se desalavancou – ou seja, reduziu sua dependência de dívida.

Desde 2025, o empresa e o setor entraram em uma nova etapa: a da geração de caixa. O BTG acredita que esse ciclo continua em 2026, sustentado por uma economia ainda resiliente, desemprego baixo, renda em níveis saudáveis e a perspectiva de queda de juros. Além disso, 2026 é ano eleitoral – o que tradicionalmente ajuda o setor de educação.

Riscos no radar

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Nem tudo são flores, claro. O histórico do setor recomenda cautela: sempre existe o risco de as empresas voltarem à tentação de “crescer a qualquer custo”, apontou o BTG Pactual, embora hoje isso pareça menos provável.

Outro ponto, segundo a casa, são as novas regras do Ministério da Educação (MEC), publicadas no ano passado, que exigem mais aulas presenciais e podem pressionar custos no futuro. Por fim, os resultados fracos do ENAMED – o exame que avalia cursos de medicina – divulgados neste ano adicionam ruído a esse segmento. Mais de 100 cursos de medicina no país foram mal avaliados.

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