Corrida da medicina: Ser Educacional dispara na frente na conquista de novas vagas

Cursos de medicina são os mais rentáveis do setor privado

Os cursos de medicina estão para o ensino superior privado, como o iPhone para os celulares: são os produtos mais rentáveis do setor no Brasil. Por isso, todos os grandes grupos cobiçam novas vagas. O problema é que apesar de as autorizações para novos cursos terem sido retomadas no ano passado, após terem ficado paradas desde 2018, o Ministério da Educação (MEC) tem controlado rigidamente a emissão de licenças.

O órgão tem sido criticado pela lentidão nas avaliações dos pedidos, que saem a conta-gotas. Diante das dificuldades, cada aprovação é comemorada como um gol por parte dos investidores. Nesse cenário, a criação de mais cadeiras em faculdades de medicina se tornou um dos principais termômetros de desempenho futuro para as empresas de educação.

E no placar das novas licenças, quem saiu na frente foi a Ser Educacional. Segundo relatório do Itaú BBA, assinado pelos analistas Vinicius Figueiredo, Lucca Generali Marquezini e Felipe Amancio, desde dezembro do ano passado o grupo obteve aprovações para oito cursos de medicina, somando 480 vagas.

Outras companhias também receberam sinal verde: Ânima: um curso (50 vagas); Cruzeiro do Sul: três cursos (180 vagas); e Cogna: dois cursos (110 vagas). Além disso, ainda há pedidos em análise que podem liberar mais 60 vagas para Ânima e outras 60 para Yduqs.

As novas regras estabelecidas na portaria 531, de 2023, exigem que os cursos sigam critérios do programa Mais Médicos. Para haver a aprovação, os pleiteantes precisam ter, junto com as instalações da faculdade, hospitais com mais de 80 leitos, com potencial de se tornarem hospitais de ensino, proporção mínima de 5 leitos do SUS por vaga e existência de leitos de urgência e emergência.

As faculdades de medicina são vistas como ativos “premium”. São os cursos mais rentáveis do ensino superior privado no Brasil, com mensalidades de R$ 8 mil a R$ 15 mil, muito acima da média de outras graduações. Além disso, a receita apresenta maior previsibilidade uma vez que a evasão é mais baixa.

Para se ter uma ideia de como novas vagas de medicina podem puxar para cima os preços das ações, um relatório do J.P.Morgan traz um cálculo em relação ao potencial da Ser Educacional, que aponta para uma valorização de três dígitos, caso o grupo consiga obter todas as cadeiras que pleiteou.

O documento coloca a quantidade potencial de vagas de medicina autorizadas da Ser ao longo dos próximos meses alcançar 660, incluindo as 480 já aprovadas. A casa de análise calcula que se a companhia conseguir todas as cadeiras o valor justo para a ação alcançaria R$ 20,50. Trata-se de um potencial de subida de 130,9% em relação a atual cotação de R$ 8,90.

O J.P.Morgan também indica que os demais grupos também contam com vagas potenciais ainda em análise pelo MEC. A Yduqs tem 180, Anima, outras 170, e Cogna mais 120.

Virada de jogo

O desempenho das companhias na bolsa neste ano indica que setor pode estar vivendo uma virada após anos tentando resolver desafios como o fim do Fies, incertezas sobre a regulação para o ensino a distância (EAD), endividamento elevado e, claro, os resquícios do impacto da pandemia.

Um dos catalisadores recentes para a valorização das ações do setor foi a publicação do novo marco regulatório do EAD, em maio de 2025. As novas regra aumentaram as exigências de infraestrutura e proibiram o ensino 100% online em áreas como saúde, limitando a atuação de players menores que competiam exclusivamente por preço.

O forte desempenho das ações dos grandes grupos educacionais — liderados por Cogna, Ânima e YDUQS e Ser Educacional — não é apenas reflexo de melhorias operacionais, mas também um sinal claro de que o mercado está precificando quem tende a sair fortalecido do novo ciclo regulatório.

A Ser acumula alta de 103,17% em 2025 até 29 de agosto. A Cogna tem um ganho de 166,67% em oito meses neste ano. Ânima, por sua vez, vem com valorização de 113,38%, enquanto YDUQS, de 55,14% no mesmo período.

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