Na sexta-feira (27), a ação da Gol, finalmente, encerrou sua jornada na bolsa brasileira. A partir do pregão da segunda-feira (30) os papéis já estarão fora dos negócios.
Agora o novo controlador, a holding Abra, que também tem a colombiana Avianca sob suas asas, vai iniciar um novo capítulo para a aérea brasileira, fundada em 2001. O grupo pretende realizar uma nova abertura de capital. Dessa vez nos Estados Unidos.
Portanto, os investidores brasileiros que quiserem voltar a serem acionistas da companhia vão ter de aplicar em papéis diretamente no mercado americano. Isso quando e se o novo IPO for feito. Ou ainda, se futuramente houver emissão de Brazilian Depositary Receipts na B3. O BDR é um recibo que representa uma ação de empresa listada fora, mas que é negociado aqui mesmo no mercado local e em reais.
A nova fase da Gol também representa quase um renascimento estratégico.
Há 25 anos, quando a Gol foi fundada, o mundo assistia a uma espécie de explosão cambriana de companhias aéreas de baixo custo, aslow cost. A empresa surgiu com esse apelo: iria oferecer preços de passagens mais acessíveis, mas com um serviço mais simples – como barrinhas de cereal em lugar de sanduíches, um serviço de bordo bem mais enxuto e um foco em rotas regionais.
Nessas duas décadas e meia muita coisa aconteceu. A aérea comprou a Varig, absorveu o programa de milhagem Smiles e se tornou uma das maiores companhias do setor no Brasil. Mas daí veio a pandemia. Com a forte queda de viagens, o endividamento cresceu muito e tornou a empresa vulnerável a crises como a Guerra da Ucrânia, em 2022, e a disparada do dólar em meados de 2024.
Sem muitas opções, a Gol entrou em recuperação judicial em janeiro de 2024. O pedido foi feito nos Estados Unidos, dentro das regras do Chapter 11, a legislação americana sobre esses processos. A companhia saiu da RJ em junho de 2025, cerca de um ano e meio depois.
Agora, fora da bolsa e com novo controlador, a Gol deixa de vez qualquer pretensão low cost e passa a mirar o público de renda mais alta. A companhia abriu uma nova frente de voos intercontinentais a partir do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, e apresentou uma oferta de produtos premium, com classe executiva e nova categoria no Smiles.
OPA e simplificação estrutural
A oferta pública de aquisição (OPA) para recomprar as ações negociadas no mercado e fechar o capital da empresa ocorreu em 19 de fevereiro. Na ocasião, a companhia conseguiu adquirir mais de 5,6 bilhões de ações preferenciais a um preço de R$ 11,45 por lote de mil papéis.
Com isso, a Gol passou a deter 99,95% das unidades. A aérea deu uma nova chance, até 25 de março, para os minoritários que não entraram na OPA venderem seus papéis.
Funcionou. A companhia conseguiu recomprar mais 731 milhões de ações e garantiu a posse de, basicamente, todas as ações já emitidas.
E porque a empresa fechou o capital? É que dentro do processo de reestruturação, a Gol Linhas Aéreas Inteligentes, que é a empresa que tinha as ações listadas na bolsa brasileira, será incorporada pela Gol Linhas Aéreas (GLA), uma companhia de capital fechado controlada pela Abra.
Essa incorporação está marcada para a quarta-feira, 1º de abril.
Segundo a própria Gol afirmou na ocasião, a operação tem como objetivo simplificar a estrutura do grupo, reduzir custos e buscar sinergias administrativas e fiscais.
O lote GOLL54, que reunia mil ações preferenciais da Gol, encerrou o último pregão cotado a R$ 9,74.
