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Liquidação do Banco Pleno encerra ciclo iniciado na separação do Master

Liquidação do Pleno já era esperada e conclui ações do BC sobre o caso Master

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A liquidação extrajudicial do Banco Pleno — antigo Voiter — decretada pelo Banco Central nesta Quarta-feira de Cinzas (18) já era considerada provável pelo mercado, diante do histórico recente da instituição e do enfraquecimento de sua estrutura operacional.

O Pleno integrou o conglomerado do Banco Master até julho de 2025, quando foi segregado do grupo e passou a ser controlado por Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Lima chegou a ser preso em novembro na operação Compliance Zero, episódio que ampliou a pressão sobre a instituição.

A liquidação encerra um capítulo de instabilidade iniciado ainda durante o processo de reorganização societária e reforça o movimento do Banco Central de atuar preventivamente em casos de deterioração financeira e fragilidade operacional no sistema bancário. Dessa maneira, a liquidação do Pleno já era esperada e conclui ações do BC sobre o caso Master.

Após a prisão, o banco interrompeu a captação de CDBs e enfrentava restrições operacionais, em meio à perda de confiança de investidores e parceiros. No processo de separação do Master, o Pleno ficou com a operação do Credcesta, cartão de crédito consignado voltado a servidores públicos.

O produto havia sido levado ao grupo por Lima, após a aquisição da operação junto a uma rede pública de supermercados do governo da Bahia. Embora não tenha mantido as carteiras já originadas, o Pleno incorporou a estrutura operacional do negócio, incluindo dezenas de funcionários e convênios firmados com estados e prefeituras.

Reestruturações e mudanças de nome

O Banco Pleno teve uma trajetória marcada por trocas de controle, reestruturações e tentativas de reposicionamento.

Originalmente conhecido como Banco Indusval, focado em crédito corporativo e financiamento ao agronegócio. Em 2019, após rearranjos societários, a instituição foi rebatizada como Voiter, em uma tentativa de tornar a estrutura do banco mais enxuta e digital.

Em 2023, a instituição chegou a negociar a venda para a Capital Consig, mas a transação não avançou.

O Banco Master entra na história no início de 2024, quando o Voiter foi incorporado ao conglomerado controlado por Daniel Vorcaro, em um período marcado por incertezas regulatórias.

Augusto Ferreira Lima, ex-sócio e ex-CEO do Master, recebeu a transferência do controle do Voiter em julho de 2025, após a aprovação do BC — desde que atendesse às condições impostas pela autarquia.

Entre as exigências regulatórias, o Banco Pleno precisava apresentar um plano concreto para enfrentar um eventual estresse de liquidez. Na prática, porém, manteve uma estrutura altamente dependente de captação via depósitos a prazo, sobretudo CDBs, como principal fonte de funding.

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Com a elevação da percepção de risco, os títulos do banco passaram a ser negociados no mercado secundário a taxas muito acima do CDI.

Histórico do CEO

Ao assumir o controle, Augusto Ferreira Lima tentou reposicionar o Banco Pleno com foco no crédito consignado, tendo como principal ativo o Credcesta, cartão de benefício com presença em dezenas de municípios.

A estratégia buscava ampliar a carteira com receitas mais previsíveis, mas permanecia condicionada à capacidade de manter a captação no mercado.

No mesmo período, o nome de Lima ganhou maior exposição após ser preso na operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes relacionadas ao Banco Master. A detenção foi posteriormente revogada.

O Banco Pleno afirmou reiteradamente não ser alvo das investigações e que atua dentro da legislação.

Além disso, Lima figura como alvo, ao lado de outros ex-sócios ligados ao Master, de uma cobrança de R$ 247 milhões protocolada no Tribunal de Justiça de São Paulo em dezembro de 2025.

A ação trata de fiança solidária em uma emissão de debêntures de R$ 470 milhões da DV Holding.

O empresário é uma das pessoas que tiveram a indisponibilidade de bens determinada pelo BC, junto com a liquidação extrajudicial da DTVM e do Banco Pleno.

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