O conflito no Irã é também uma guerra de informações. Enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, alardeia que o país islâmico está “ansioso” para negociar um cessar-fogo e um acordo para terminar a guerra, o Irã afirma que rejeitou o plano inicial proposto pelos americanos. Mas existe um esforço real da parte dos Estados Unidos de organizar uma reunião com os iranianos no fim de semana para, pelo menos, acertar uma trégua de um mês. Ou seja, a qualquer momento os mercados podem sair do modo negativo para uma volta ao risco. Ou ficarem ainda mais pessimistas. No Brasil, as atenções se voltam ao IPCA-15 de março, visto como uma prévia da inflação deste mês, e também ao Relatório de Política Monetária do Banco Central, com direito a apresentação do presidente do BC, Gabriel Galípolo, que deve manter a mensagem do Copom: por enquanto o navio segue o rumo, mas pode mudar rapidamente de direção se precisar.
Enquanto você dormia…
- O exterior amanheceu com cautela, ainda guiado por petróleo, inflação e juros mais altos por mais tempo. Os futuros das bolsas de Nova York sinalizam uma abertura em baixa dos mercados.
- Às 7h25, o S&P 500 futuro tinha queda de -0,66% e o Nasdaq futuro recuava -0,74%.
- Na Europa, as bolsas recuam com temor de inflação persistente. O Stoxx 600 cai -1,01%.
- Na Ásia, as bolsas fecharam em queda. O índice Nikkei, de Tóquio, terminou com baixa de -0,27%. O Hang Seng, de Hong Kong, caiu -1,89%.
- O índice dólar (DXY) está estável aos 99,63 pontos. O petróleo Brent tem nova alta de +3,30% cotado a US$ 105,57 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos estão em 4,374% ao ano.
Destaques do dia
- O mercado segue reagindo a sinais conflitantes sobre uma possível trégua entre EUA e Irã. Enquanto há falas de avanço diplomático, o governo iraniano nega negociações diretas e mantém incerteza sobre o trânsito de navios no Estreito de Ormuz.
- A possibilidade de cobrança de taxas para travessia elevou ainda mais a percepção de risco sobre a oferta global de petróleo, mantendo o Brent acima de US$ 104.
- Em momentos como esse, o mercado precifica não só o que já aconteceu, mas principalmente o que pode dar errado — e energia costuma ser o primeiro canal de transmissão.
- E daí? Setores sensíveis a combustível e juros podem sofrer. As expectativas sobre a inflação global também voltam a ganhar pressão. O Banco Central Europeu sinaliza que pode até subir juros se a situação perdurar.
Giro pelo mundo
- Ormuz no foco: risco logístico no transporte de petróleo segue elevando preços e expectativas de inflação; qualquer avanço diplomático vira gatilho.
- BCE mais duro?: mercado começa a considerar menos cortes e até risco de alta de juros diante da energia cara.
Giro pelo Brasil
- IPCA-15: prévia da inflação de março subiu +0,44%, bem acima do esperado (consenso era de alta de +0,29%). Houve altas expressivas nos itens “alimentação e bebidas”, com subida de +0,88%, e “despesas pessoais”, com avanço de 0,82%.
- BC em foco: sai o Relatório de Política Monetária, com pistas sobre o ritmo de cortes da Selic.
- STF e gastos: Supremo definiu regras para verbas adicionais de magistrados, com potencial impacto fiscal e político. Tribunal citou economia de R$ 7,4 bilhões com limitação de “penduricalhos” que aumentam artificialmente os salários da categoria.
Giro corporativo
- Americanas: empresa pediu o encerramento da recuperação judicial após cumprir obrigações iniciais; decisão final depende da Justiça.
- São Carlos: vendeu ativos por R$ 735 milhões e reforça estratégia de atuação no mercado de fundos imobiliários..
- JBS: receita anual recorde de US$ 86,2 bilhões em 2025, mas com margens pressionadas no quarto trimestre de 2025. Com o rebanho americano no menor nível em mais de sete décadas, a oferta restrita de animais continua sustentando preços elevados do gado.
Agenda do dia
- 08:00: Relatório de Política Monetária — Banco Central. Pistas sobre juros.
- 09:00: IPCA-15 de março — principal prévia da inflação no Brasil. Indicador avançou 0,44% na primeira metade do mês (consenso: +0,29%).
- 09:00: Pedidos de seguro-desemprego — EUA. Termômetro do mercado de trabalho.
- 09:30: PIB final do 4º trimestre — zona do euro. Mede o fôlego da economia.
- 11:00: Vendas pendentes de moradias — EUA. Indicador do setor imobiliário.
Ótima quinta-feira e bons negócios!
