O Federal Reserve e o Banco Central brasileiro seguiram o script: ontem o BC americano manteve os juros, enquanto o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual. Mas o saldo da superquarta foi mesmo o reconhecimento pelas autoridades de que tudo vai depender, daqui para a frente, do desenvolvimento da Guerra no Irã. O Fed descartou qualquer chance de ter de aumentar juros. Por enquanto. Mas reconheceu que os impactos do conflito são “incertos” e que os rumos da política monetária vão depender da duração do choque do petróleo. O nosso BC adotou tom parecido, mesmo que tenha iniciado o ciclo de cortes de juros. Enquanto isso, o petróleo superou mais cedo os US$ 115 o barril em dia de decisões de bancos centrais na Europa.
Enquanto você dormia…
- O petróleo chegou a passar dos US$ 115 o barril mais cedo e com nova alta mantém as bolsas globais pressionadas. Os futuros das bolsas de Nova York seguem em baixa: às 7h20, o S&P 500 futuro tem queda de -0,10% e o Nasdaq futuro opera em baixa de -0,21%.
- Na Europa, bolsas em queda com foco no choque de energia e decisão do BCE. O Stoxx 600 tem queda de -1,94%.
- Na Ásia, o tom foi de aversão a risco. O índice Nikkei terminou a sessão com recuo de -3,38%. O Hang Seng, de Hong Kong, fechou em queda de -2,02%.
- O índice dólar (DXY) voltou a superar os 100 pontos: o índice segue em alta a 100,14 pontos. O petróleo Brent vive nova disparada, com alta de +6,69% a US$ 114,49 o barril Os juros da Treasury de 10 anos sobem a 4,275% ao ano.
Destaques do dia
- Fed segura os juros, mas mantém sinalização de mais um corte ainda em 2026. O banco central americano reconheceu que os efeitos da guerra com o Irã sobre a economia dos EUA são “incertos”.
- O presidente do Fed, Jerome Powell, reforçou o tom de espera, enquanto o mercado reduziu a aposta de mais cortes em 2026. O petróleo mais caro complica a queda da inflação e limita o espaço para alívio monetário.
- E daí? Para o Brasil, a combinação de petróleo alto e Fed mais cauteloso tende a manter pressão sobre dólar e juros locais.
Giro pelo mundo
- Banco Central Europeu (BCE) no foco: expectativa de manutenção de juros em 2%, com maior atenção ao discurso de Lagarde — tom pode mexer mais que a decisão.
- Banco da Inglaterra (BoE) também decide: mercado espera taxa em 3,75%, mas com discurso mais duro diante da energia cara.
- Petróleo manda no jogo: Brent chegou a passar dos US$ 115 após novos ataques no Oriente Médio.
Giro pelo Brasil
- Selic em queda, mas com cautela: Copom cortou Selic para 14,75% ao ano, sinalizando início de ciclo de queda de juros, porém sem pressa.
- Sucessão na Fazenda: Haddad afirmou que o nome de Dario Durigan está “bem encaminhado”, tema que pode ganhar preço conforme evoluir.
Giro corporativo
- Light sem Tanure: o controverso empresário Nelson Tanure deixou o conselho da Light e deve sair da base acionária.
- Multiplan acelera expansão: investimento de R$ 400 milhões no MorumbiShopping, com nova área já totalmente ocupada. A área de expansão reúne 40 novas lojas em dois pavimentos, além de um rooftop gastronômico no terceiro piso
- Ferrero compra a Bold: dona de Nutella e Kinder avança no Brasil com aquisição da marca de snacks saudáveis.
Agenda do dia
- 09:00: Decisão de juros do Banco da Inglaterra — calibra o tom global de política monetária global, após o Fed manter as taxas e sinalizar juros altos por mais tempo.
- 09:30: Pedidos de auxílio-desemprego — EUA. Termômetro do mercado de trabalho. (Consenso: 215 mil)
- 09:30: Índice do Fed da Filadélfia — EUA. Indica ritmo da indústria. (Consenso: 8,3)
- 10:15: Decisão de juros do BCE — Zona do euro. Expectativa de manutenção.
- 10:45: Coletiva da presidente do BCE, Christine Lagarde — pode gerar volatilidade.
Ótima quinta-feira e bons negócios!
