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MRV: Quando dados bons não convencem todo mundo

Ações chegaram a subir quase 4% e cair 9% na mínima do dia após dados operacionais

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As ações da MRV lideraram as perdas entre os papéis componentes do Ibovespa na tarde desta quarta-feira (14) depois de passar a manhã na outra ponta, entre as maiores altas. A construtora divulgou seus resultados operacionais considerados positivos por parte dos analistas, mas ainda insuficientes para levar a uma revisão positiva para as ações na visão de alguns investidores.

No fim do pregão, os papéis da empresa caíram 5,09%, cotados a R$ 7,64, depois de terem subido 3,4% no começo do dia e caído 9% na mínima durante a tarde.

Nas mesas de operação, pairaram dúvidas sobre os motivos para o movimento dos papéis, segundo relatos ouvidos pelo InvestNews. Até aqui, as diferentes leituras feitas dos dados operacionais eram a principal justificativa para o desempenho da construtora.

O Bank of America (BofA) viu no desempenho operacional do quarto trimestre “alguma recuperação de caixa” e destacou os lançamento estáveis frente ao ano anterior, em R$ 3 bilhões, abaixo do esperado pelo banco. Os preços de vendas subiram 4% na base de comparação anual, enquanto a margem de lucro operacional caiu 7,7 pontos percentuais em relação ao ano passado, para 24,2%.

A margem de lucro operacional corresponde ao percentual de lucro gerado pela companhia a partir de suas atividades essenciais, antes de juros e impostos.

O banco também dá ênfase à geração de caixa de R$ 175 milhões, números que contam com os efeitos da antecipação de recebíveis e empréstimos nos EUA. Tirando isso, a geração de caixa seria R$ 151 milhões. “O ponto crucial a ser observado é a recuperação consistente da geração de caixa para viabilizar a redução da alavancagem [endividamento] e reconstruir a confiança dos investidores”, diz o material.

O BofA manteve recomendação neutra para os papéis – quer dizer, “não compre e não venda”, basicamente –, citando que o potencial de valorização das ações é limitado porque uma parcela significativa do valor da empresa “ainda está concentrada em dívida em vez de patrimônio líquido”.

Na mesma linha vai a análise do Citi, que citou a queima de caixa de R$ 27 milhões da subsidiária americana Resia como resultado das despesas administrativas e financeiras, já que a companhia não vendeu nenhum projeto durante o trimestre.

Ainda conforme o banco, apesar da geração de caixa positiva no trimestre, o melhor agora é observar o desenvolvimento do segmento e a evolução do fluxo de caixa operacional para recuperar a confiança. O Citi também tem avaliação neutra para o papel.

Quem viu os resultados de forma mais positiva foi o Itaú BBA, que deu destaque para os lançamentos e as vendas em linha com o esperado e a geração de caixa de R$ 175 milhões, que também foi bem recebida pelos analistas do banco.

Ainda assim, houve ressalvas: “Admitimos que esses sinais indicam que uma recuperação das operações do MCMV [programa Minha Casa, Minha Vida] pode estar próxima, mas mantemos nossa recomendação de market perform [desempenho em linha com o mercado, nem acima, nem abaixo] por enquanto.”

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