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Prata e ouro marcam preços históricos enquanto investidores correm para diversificar carteiras

Procura por ativos tradicionais de proteção em meio a conflitos geopolíticos puxa alta do metal em conjunto com o ouro

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A prata ultrapassou US$ 100 por onça pela primeira vez na história, prolongando uma disparada impulsionada pela busca por ativos de proteção e por compras intensas no varejo, de Xangai a Nova York.

A prata à vista chegou a subir 6,9%, para US$ 102,87 por onça, na sexta-feira (23), elevando os ganhos no ano para mais de 40%, depois que os preços mais que dobraram em 2025.

O ouro também avançou para um novo recorde, aproximando-se de US$ 5.000 por onça (US$ 4.981,52 por onça) em Nova York, um ganho semanal superior a 8%, o mais forte desde março de 2020.

Gestores de recursos aumentaram suas compras de ouro para o maior nível desde outubro, à medida que a ansiedade em torno da disputa do presidente dos EUA, Donald Trump, pela Groenlândia levou investidores a migrar de moedas e títulos soberanos para ativos físicos.

Os hedge funds, os “multimercados” nos EUA, e outros grandes especuladores elevaram suas posições em ouro em 1,9%, para 139.162 contratos, na semana encerrada em 20 de janeiro, segundo dados do governo dos Estados Unidos – o maior nível em 16 semanas.

A demanda dos investidores por metais preciosos se intensificou com as crescentes incertezas sobre comércio, geopolítica e política monetária. Temores de que a prata pudesse ser atingida por tarifas nos EUA desencadearam uma corrida para enviar metal a Nova York, culminando em um short squeeze histórico em Londres, em outubro.

O short squeeze é um movimento em que diversos investidores que apostavam na queda do ativo são obrigados a se desfazer rapidamente da posição para frear prejuízos por causa de uma alta, que se intensifica conforme outros investidores em igual situação são forçados a fazer o mesmo.

A alta da prata nesta semana foi impulsionada por uma ruptura nas relações de Washington com aliados europeus que demonstraram apoio à Groenlândia, enquanto as tentativas mais recentes de chegar a um acordo para encerrar a guerra na Ucrânia não conseguiram avançar. Desafios à independência do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) também aumentaram a demanda.

“O suporte à prata foi reforçado por um dólar mais fraco, rendimentos reais mais baixos e maior apetite dos investidores por ativos físicos em meio à elevada incerteza política”, afirmou Ewa Manthey, estrategista de commodities do ING Groep.

“A maior volatilidade da prata em relação ao ouro, impulsionada por seu mercado menor e por seu papel duplo como metal industrial e de investimento, amplificou os movimentos recentes.”

O mercado global de prata opera em déficit de oferta há cinco anos. Com os preços em alta, houve uma onda de compras no varejo. Na China, investidores migraram para a prata como uma alternativa mais acessível ao ouro, enquanto nos Estados Unidos houve uma corrida que chegou a sobrecarregar distribuidores.

Alguns bancos já haviam previsto que a prata alcançaria o patamar de três dígitos. Em nota publicada em janeiro, o Citigroup revisou sua projeção de curto prazo para uma alta até US$ 100 por onça, além de prever que o ouro poderia subir até US$ 5.000 por onça.

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Os metais preciosos também encontraram apoio depois que Trump afirmou ter concluído entrevistas para escolher o próximo presidente do Federal Reserve, movimento que reacendeu preocupações sobre a independência do banco central.

Os ataques renovados de Trump ao Fed, juntamente com intervenção militar na Venezuela e ameaças de anexação da Groenlândia, deram impulso adicional ao chamado “debasement trade”, no qual investidores se afastam de títulos soberanos e moedas em favor de ativos alternativos de proteção, como o ouro. O metal já acumula alta de 15% neste ano, após registrar no ano passado seu melhor desempenho anual em quase quatro décadas.

A alta da prata ocorreu mesmo após os Estados Unidos terem decidido, em janeiro, adiar a imposição de tarifas sobre minerais críticos. Trump afirmou que negociaria acordos bilaterais para garantir o fornecimento adequado desses materiais, mencionando pisos de preços, sem descartar completamente a adoção de tarifas.

Além de ativo financeiro, a prata também desempenha papel industrial importante, por ser um condutor eficiente de eletricidade, com o setor solar entre seus principais consumidores.

Os preços mais elevados levaram algumas empresas a reduzir o uso do metal, e as substituições, combinadas com uma desaceleração esperada nas instalações globais de energia solar, devem reduzir o consumo do setor em cerca de 17% neste ano, segundo dados da Shanghai Metals Market.

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