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Tesouro intervém na negociação de títulos: entenda o que isso significa e o efeito para os ativos

Tesouro voltou a suspender a negociação de títulos públicos nesta quarta-feira (19) em razão do aumento da volatilidade nos preços

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Quem investe no Tesouro Direto se deparou nos últimos dias com notícias de suspensão temporária das negociações de títulos públicos, como aconteceu nesta quinta-feira (19).

Por trás da decisão do Tesouro Nacional esteve o diagnóstico de que a volatilidade dos preços estava tão elevada que foi preciso corrigir o que, no mercado, é conhecido como “disfuncionalidade”. Em outras palavras, havia um nível de oscilação de valores tão grande que a referência dos investidores foi prejudicada.

O Tesouro Prefixado 2032 atingiu na manhã desta quinta uma taxa de 14,28%, acima dos 14,25% vistos na sexta-feira passada (13), quando a elevada volatilidade deflagrou a maior intervenção da história do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos.

E o que isso tem a ver com você? Tudo.

Quando o Tesouro decide interromper as negociações, não é possível comprar nem vender títulos. A mensagem que a secretaria do governo federal passa é: vou trabalhar com maior liquidez – ampliar a oferta de títulos – para conter a instabilidade e permitir que o mercado volte à normalidade, em que os agentes definem os preços de forma organizada.

Isso tem efeitos diretos para o investidor que já tem títulos públicos em seu portfólio.

O sobe-e-desce nas taxas dos títulos públicos tem sido muito intenso desde que a Guerra do Irã começou no fim de fevereiro, de tal modo que investidores tiveram perdas significativas na carteira e ganhos na sequência que prejudicam a percepção de valor desses ativos.

O Tesouro decidiu intervir em um momento em que as taxas de juros dos papéis têm disparado, como reflexo principalmente das incertezas com o confronto militar entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, com aumento dos preços do petróleo para o patamar acima de US$ 100 o barril e pressão sobre a inflação.

Investidores cobram um prêmio maior para financiar o governo nesse contexto, o que se traduz em taxas de juros mais altas nos títulos.

Com a alta das taxas, os preços dos títulos recuam no seu valor atualizado diariamente. E vice-versa. É como funciona a renda fixa. E a taxa contratada no momento da compra segue válida se o título for carregado até o vencimento – e isso não se pode perder de vista.

A atuação do Tesouro nos últimos dias no mercado busca levar os juros para patamares mais baixos.

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Isso significa que o investidor que teve perdas momentâneas na carteira passou a registrar ganhos, porque a atuação do Tesouro derrubou os juros.

O cuidado que deve ser tomado em momentos de volatilidade como o atual é decidir comprar ou vender em uma situação tão instável.

Dado que tais taxas seguem elevadas para padrões históricos, diante do cenário de incertezas com os efeitos da guerra para a economia e a inflação, é um momento favorável de entrada do investidor no mercado de títulos, e não de saída. Afinal, ao fazer isso, ele contrata uma remuneração maior.

Conforme a taxa Selic seja reduzida no Brasil nos próximos meses e em 2027, caminho ainda esperado por economistas depois da decisão do Copom de realizar um corte de 0,25 ponto percentual, para o patamar de 14,75% ao ano, as taxas dos títulos devem continuar em queda, o que beneficia quem já tem títulos na carteira – pois seus valores passam a subir.

Isso, claro, se o conflito no Oriente Médio não se agravar, o que pode mudar o cenário.

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