Mesmo assim, analistas veem o balanço com bons olhos. O JPMorgan, por exemplo, reforçou sua recomendação de compra para VALE3, com preço-alvo de R$ 97 – 11% acima do patamar atual.
Dá para ler a queda de hoje como um movimento pontual alimentado pela própria valorização do papel que atingiu o pico histórico de R$ 90 na quarta-feira (11), na véspera da divulgação do balanço. O tombo também acompanha o recuo no preço do minério, que acordou em queda de 2% na China.
O prejuízo no 4T25 foi pesado – seis vezes maior na comparação anual. Mas analistas veem o Ebitda (lucro operacional) com bons olhos.
O Ebitda ajustado da mineradora somou US$ 4,6 bilhões entre outubro e dezembro, contra US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre de 2024. Para o Itaú BBA, os resultados vieram 6% acima do consenso do mercado.
No balanço da Vale, também conta o “Ebitda proforma”. Ele exclui despesas não-recorrentes – como as indenizações pelo desastre de Brumadinho e a eliminação de barragens que possam apresentar risco. Sem contar esses desembolsos, o lucro operacional alcançou US$ 4,8 bilhões: avanço de 17% na mesma base de comparação. Já o “lucro proforma” subiu 68% para US$ 1,5 bilhão.
O desempenho operacional também foi considerado sólido por analistas, como mostra o próprio recorde de produção. Além disso, com maiores vendas e preços, a receita líquida da Vale alcançou US$ 11,1 bilhões no último trimestre do ano passado, com alta anual de 9%.
Excesso de minério
Seja como for, existe um peso hoje contra a Vale: o excesso de minério no mercado. Ela mesma é “culpada” por isso.
Os estoques nos portos chineses já alcançam 161 milhões de toneladas, segundo a Shanghai SteelHome E-Commerce Co. As reservas sobem há 11 semanas consecutivas e estão próximas de um patamar recorde.
A produção da Vale, por outro lado, atingiu ela mesma um novo recorde no quarto trimestre e recolocou a mineradora brasileira no topo do ranking de maiores produtores mundiais.
No ano passado, a mineradora produziu mais de 336 milhões de toneladas de minério de ferro. Foi o maior volume desde 2018.
A oferta também mais forte de minério vinda da rival australiana Rio Tinto, junto com a maior produção brasileira, não tem encontrado eco na demanda da China, maior consumidora mundial do produto. Com isso, o preço do minério de ferro acumula queda de 7% neste ano.
Um dos motivos para a menor demanda chinesa, além dos elevados estoques de minério, vem do recuo de vendas de automóveis no mercado interno.
Em 2025, houve uma queda de 20% na comercialização de veículos comparado a 2024. Com isso, as montadoras do país asiático têm desacelerado a produção em meio à alta dos estoques de carros e utillitários.
A Vale, no entanto, reafirmou enxergar o movimento desta quarta-feira como algo pontual.
“Nós não estamos aqui também preocupados com o curtíssimo prazo do preço da ação”, afirmou o vice-presidente de Finanças e RI da companhia, Marcelo Bacci, em coletiva com jornalistas.
Para o executivo, a recuperação do preço da ação da Vale nos últimos 12 meses reflete uma visão mais favorável de mercado para os preços e a demanda do mercado de minério em um prazo mais longo.
