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3 motivos para investir no IPO do Grupo Mateus, segundo especialistas

Conglomerado de ‘atacarejo’ vem consolidando seu espaço no Norte e Nordeste e agora chega para concorrer com Carrefour e Pão de Açúcar na B3.

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por

Breno Queiroz
grupo mateus

Embora as incertezas fiscais e a pandemia assustem a ponto de algumas empresas terem adiado seus IPOs (aberturas de capital), a expectativa é de que o quarto maior líder de varejo alimentar do país fará uma entrada triunfante na B3, podendo ser a maior oferta inicial de ações do ano.

A abertura de capital do Grupo Mateus (GMAT3), conglomerado que opera supermercados e atacarejos no Norte e Nordeste, promete levantar um montante líquido de R$ 3,27 bilhões, caso o preço das ações chegue ao topo da faixa indicativa que foi definida entre R$ 8,97 e R$ 11,66. Os recursos que forem para o caixa da empresa serão usados em sua expansão.

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No último sábado (3), um acidente em um supermercado do grupo, na capital maranhense de São Luís, deixou um morto e oito feridos, levando a companhia a questionar na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) se seria necessário adiar a oferta de ações em razão do ocorrido. No entanto, o órgão entendeu que foi um caso isolado, sem potencial de interferir nas condições econômicas do grupo.

A empresa deve definir o preço da ação nesta quinta-feira (8). Já a estreia na B3 está prevista para o dia 13 de outubro, quando ela passa a negociar as ações em um mercado que já conta com as rivais Carrefour (CRFB3) e Grupo Pão de Açúcar (PCAR3).

A oferta base de 397.286.822 ações ordinárias — das quais 85,36% são novas ações e o resto dos acionistas originais — deve manter a composição acionária majoritária da família dona do grupo. Mesmo se todos os lotes subsequentes forem vendidos, mais de 75% ficarão com a família Mateus.

Ex-garimpeiro de Serra Pelada e agora indicado pela Forbes como nona pessoa mais rica do Brasil com fortuna avaliada em R$ 24 bilhões, o fundador da empresa, Ilson Mateus, tem a fama de possuir um dos jatos particulares que mais voam no país.

Há 34 anos, o bilionário abriu sua primeira mercearia com apenas 50 m² na cidade de Balsas, no interior do Maranhão, e hoje opera nove centros de distribuição, 24 lojas de mix atacarejo, 24 supermercados e dois hipermercados, consolidados entre Maranhão, Pará e Piauí, além de uma plataforma própria de e-commerce, que faz entregas nos estados de Tocantins, Bahia e Ceará.

Tendo em vista a expansão do grupo e sua estreia na bolsa brasileira, o InvestNews conversou com Ana Paula Tozzi, CEO e head comercial da AGR Consultores, que destacou os pontos fortes da companhia*. Veja abaixo:

Pontos fortes

  • 1. Diversificação e resultados

No prospecto preliminar da oferta na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a empresa afirma que o montante levantado no IPO será usado para continuar a expansão orgânica das operações, que já vinha em crescimento acelerado e sólido desde 2017. O grupo encerrou o primeiro semestre de 2020 com lucro líquido de R$ 297 milhões, um aumento de 62% em relação ao mesmo período de 2019.

Além da expansão do número de lojas, segundo especialistas, há uma interessante diversificação dos modelos de negócio. Por exemplo, a empresa firmou uma parceria estratégica com o Banco Bradesco, lançando o cartão MateusCard, a fim de aumentar a recorrência das vendas em seus supermercados.

“É um modelo regional que vai se fazendo na oferta. Ele começa vender roupa, depois passa pro celular, eletrodomésticos, quando se dá conta, já é um magazine.” explica Ana Paula Tozzi, CEO e head comercial da AGR Consultores.

  • 2. Negócio familiar

Magazine Luiza (MGLU3) e Votorantim são exemplos de companhias enormes que ainda permanecem com uma certa estrutura familiar. É um verdadeiro desafio manter essa característica no mercado de capital aberto que exige alta governança, pelo qual o Grupo Mateus terá que passar. Mas Tozzi chama atenção para como o conglomerado ainda está na sua primeira geração.

“O desafio do fundador é fazer o mix entre a gestão profissional e sucessão familiar. Eu acredito que essa combinação pode funcionar muito bem com pessoas independentes do mercado e uma sucessão bem preparada”, analisa. Se tudo der certo, o grupo irá herdar uma operação bem madura com uma cultura corporativa muito enraizada.

  • 3. Regionalização

Fora do eixo Sul – Sudeste, o nome do grupo é pouco conhecido para a maioria das pessoas. Mas pela escala da operação, já dá pra ver que a barreira competitiva foi superada. A esse ponto, seria mais fácil alguém comprar o funcionamento do Grupo Mateus do que começar tudo do zero e competir com ele.

Segundo Tozzi, isso é comum pelo país. “O pessoal tem que sair um pouco da Faria Lima. Existem vários Grupo Mateus pelo Brasil afora. E por que nunca ouvimos falar deles? Porque nunca haviam aberto capital e a própria história do varejo no país faz com que eles não se exponham”, afirma. 

*O conteúdo listado reflete a opinião de especialistas consultados pelo InvestNews e não configura recomendação.

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