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Adidas usa recordes na Maratona de Londres para retomar terreno perdido para On e Hoka 

Mercado de tênis de corrida cresceu 13% no último ano e movimenta US$ 8,1 bilhões; categoria global pode chegar a US$ 104 bi em 2030

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Enquanto atletas e torcedores se maravilham com não um, mas dois homens quebrando a barreira até então impensável das duas horas na Maratona de Londres deste ano, a alemã Adidas também tem motivo para comemorar.

Realizada desde 1981, a Maratona de Londres é uma das seis provas que compõem as World Marathon Majors, o circuito que reúne as maratonas mais prestigiadas do planeta, ao lado de Boston, Berlim, Chicago, Nova York, Tóquio e Sydney. 

É a maior maratona do mundo em número de inscritos, com cerca de 56 mil concluintes em 2025, e tradicionalmente reúne a elite do fundo mundial em busca de tempos rápidos no traçado plano da capital britânica.

O queniano Sebastian Sawe e o etíope Yomif Kejelcha cruzaram a linha de chegada neste domingo calçando o novo tênis de competição ultraleve da marca, um modelo de US$ 500.

Sawe se descolou de Kejelcha nos momentos finais da prova e cravou o tempo histórico de 1 hora, 59 minutos e 30 segundos, mais de um minuto melhor que o recorde anterior da prova. Kejelcha terminou apenas 11 segundos atrás, feito notável em sua primeira competição na distância de 42,2 quilômetros.

Na prova feminina, a etíope Tigst Assefa abriu vantagem sobre a queniana Hellen Obiri na última milha e venceu com o tempo de 2 horas, 15 minutos e 41 segundos, um pouco mais rápido do que no ano passado, quando ela quebrou o recorde mundial em corridas exclusivamente femininas.

Os pisantes

Para os três, o denominador comum foi o Adizero Adios Pro Evo 3, da Adidas, tênis lançado na quinta-feira (23) pesando apenas 97 gramas em tamanho padrão. É a versão mais leve já feita do tipo de tênis de corrida que vem transformando o esporte de longa distância na última década.

“Isso é uma prova dos anos de trabalho duro e dedicação que eles dispensaram, ao lado de nosso time de inovação, que desenvolveu um supershoe que abre uma nova era”, disse Patrick Nava, gerente-geral de corrida da Adidas.

Obiri usava um LightSpray Cloudboom Strike, da On, empresa investida pelo ícone do tênis Roger Federer e a família Lemann, modelo de competição sem cadarço de US$ 330 produzido por robôs. Ela superou seu próprio recorde pessoal e ficou em segundo lugar atrás de Assefa.

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Sawe inclusive superou o tempo de Eliud Kipchoge, que em 2019 completou a distância em 1:59.40 num evento organizado pela Nike em Viena que não foi homologado como recorde mundial. Aquela prova incluiu uma série de pacers para acompanhar Kipchoge por quase todo o trajeto.

Em Londres, Sawe e Kejelcha se puxaram nos quilômetros finais, muito depois de terem deixado os pacers oficiais para trás.

Para as marcas, ter um vencedor de alto perfil usando seu lançamento mais recente confere selo de legitimidade. E tênis de corrida são um negócio em ebulição: o mercado americano cresceu 13% nos 12 meses encerrados em fevereiro, atingindo US$ 8,1 bilhões, segundo a empresa de pesquisa Circana. 

É uma fatia importante da categoria mais ampla de calçados de performance, que pode chegar a US$ 104 bilhões em vendas globais até 2030, de acordo com dados da Euromonitor.

Reconstrução em Herzogenaurach

A Adidas vem reconstruindo sua franquia de corrida nos últimos anos, buscando capitalizar a explosão de popularidade do esporte, que ajudou a alavancar marcas desafiantes como Hoka, On e Brooks.

A companhia alemã sediada em Herzogenaurach, na Bavaria,tem se beneficiado da forte demanda pelo confortável Adizero Evo SL, de US$ 150, versão mais branda do tênis de corrida usado por Sawe e companhia.

A aposta em corrida faz parte dos esforços do presidente-executivo Bjorn Gulden para extrair mais lucro com equipamentos esportivos de alta performance e reduzir a dependência da marca em relação a itens de moda como os tênis Samba e Gazelle.

©2026 Bloomberg L.P.

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