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Aegea adia novamente divulgação de balanço e afirma que não há indício de fraude

Aegea cita que o atraso decorre da complexidade do processo de revisão, que envolve a reapresentação de resultados de períodos anteriores e o reprocessamento de um volume relevante de dados

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A Aegea, companhia de saneamento básico, informou nesta sexta-feira (10) que adiou novamente a divulgação de suas demonstrações financeiras referentes ao exercício de 2025, citando questões operacionais ligadas à conciliação e ao processamento das informações contábeis. A publicação dos resultados estava prevista para a útima quinta-feira e a teleconferência com analistas ocorreria nesta sexta-feira, mas ambos foram suspensos até a conclusão dos trabalhos.

Segundo a companhia, o atraso decorre da complexidade do processo de revisão, que envolve a reapresentação de resultados de períodos anteriores e o reprocessamento de um volume relevante de dados.

A empresa ressaltou que o adiamento não está relacionado a qualquer indício de fraude nem a desdobramentos de acordos anteriores. De acordo com a Aegea, a revisão tem caráter estritamente contábil e não afeta sua liquidez, geração de caixa ou o cumprimento de covenants financeiros.

Escrutínio do mercado

O novo adiamento ocorre em meio ao aumento do escrutínio do mercado sobre a companhia. Após o atraso inicial e o rebaixamento da nota de crédito por agências como S&P Global e Fitch Ratings, cresceram as preocupações entre credores e investidores.

Esse movimento já se reflete nos títulos de dívida da empresa, que passaram a ser negociados com taxas mais elevadas no mercado secundário, o que implica queda de preços e maior percepção de risco. No exterior, bonds da companhia chegaram a ser negociados com descontos relevantes em relação ao valor de face, em meio à volatilidade recente.

Analistas também apontam preocupações com governança e transparência após o adiamento do balanço. Em relatório recente, a S&P destacou que a estrutura corporativa da Aegea é complexa e pode exigir ajustes adicionais na consolidação de dívida e fluxo de caixa, o que impacta a avaliação da agência sobre gestão e divulgação de informações.

As dúvidas aumentaram ainda porque não é a primeira vez que a companhia revisa seus números. Em 2024, a Aegea reapresentou demonstrações financeiras de anos anteriores para corrigir a contabilização de operações entre partes relacionadas.

O cenário ocorre em um momento em que a empresa vinha sendo avaliada para um potencial IPO bilionário no Brasil, mas a deterioração recente na percepção de risco pode atrasar esses planos, segundo analistas de mercado.

Além disso, o atraso na divulgação das demonstrações levanta riscos técnicos, como a possibilidade de aceleração de dívidas em caso de descumprimento de prazos contratuais, o que poderia acionar cláusulas de default cruzado em alguns instrumentos.

Com isso, a companhia não cumprirá o prazo anteriormente estabelecido para a divulgação do balanço e também não realizará a teleconferência até que as demonstrações financeiras estejam concluídas.

A Aegea afirmou ainda que o Conselho de Administração e o Comitê de Auditoria acompanham de perto o processo e reiterou seu compromisso com a transparência. A empresa disse que está adotando medidas para evitar a recorrência de situações semelhantes, incluindo a revisão de seus procedimentos internos.

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A companhia acrescentou que manterá acionistas e o mercado informados sobre novos desdobramentos.

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