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Após concessão renovada, Light anuncia investimento de R$ 10 bilhões

A Light atende atualmente cerca de 4,3 milhões de unidades consumidoras em 31 municípios fluminenses, alcançando aproximadamente 12 milhões de pessoas

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A Light prevê investir R$ 10 bilhões nos próximos cinco anos nos 31 municípios de sua área de concessão no Estado do Rio de Janeiro, em um plano que marca o novo ciclo da distribuidora após a renovação da concessão por mais 30 anos. O valor representa mais que o dobro dos investimentos realizados pela companhia nos últimos cinco anos.

A renovação foi oficializada pelo Ministério de Minas e Energia na última sexta-feira (8), após recomendação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), dentro de um pacote que renovou os contratos de 14 distribuidoras de energia elétrica no país. Segundo o governo federal, os novos contratos preveem cerca de R$ 130 bilhões em investimentos e potencial de beneficiar aproximadamente 41,8 milhões de famílias.

No caso da Light, o novo contrato era considerado peça-chave para a continuidade do processo de recuperação judicial da companhia. A empresa entrou em recuperação em 2023 após enfrentar uma combinação de forte endividamento, perdas elevadas com furtos de energia, inadimplência e dificuldades de acesso ao mercado de crédito. À época, a dívida da companhia se aproximava de R$ 11 bilhões.

Como concessionárias de energia elétrica não podem ingressar diretamente em recuperação judicial, o pedido foi protocolado pela holding Light, controladora do grupo. O processo se tornou um dos mais relevantes do setor elétrico brasileiro nos últimos anos devido ao tamanho da distribuidora e ao impacto operacional da companhia no Rio de Janeiro.

A Light atende atualmente cerca de 4,3 milhões de unidades consumidoras em 31 municípios fluminenses, alcançando aproximadamente 12 milhões de pessoas. A área de concessão inclui a capital do Estado e regiões com elevados índices de perdas não técnicas, especialmente furtos e ligações clandestinas de energia, considerados um dos principais desafios históricos da companhia.

Aumento de capital

Com a renovação assegurada, a Light informou que realizará um aumento de capital na distribuidora nos próximos 90 dias, em uma operação estimada entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão. Além disso, a companhia prevê converter aproximadamente R$ 2,2 bilhões em dívidas em ações como parte do plano de reestruturação financeira aprovado pelos credores.

Segundo a empresa, os R$ 10 bilhões em investimentos serão destinados principalmente à modernização e digitalização da rede elétrica, automação de sistemas, substituição de equipamentos antigos, reforço da infraestrutura de distribuição e melhoria da qualidade do serviço.

O plano também prevê investimentos voltados ao combate às perdas não técnicas, incluindo tecnologias para monitoramento da rede, medição inteligente e recuperação de energia. A redução dos chamados “gatos” é vista internamente como um dos pilares para a melhora da geração de caixa da distribuidora ao longo dos próximos anos. A companhia afirma ainda que pretende ampliar a resiliência da rede elétrica para reduzir interrupções no fornecimento e melhorar indicadores operacionais exigidos pela Aneel.

Tanure

Após a renovação da concessão, o empresário Nelson Tanure, que fez parte do conselho da Light por cerca de 3 anos, comentou publicamente o processo de recuperação da empresa.

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“Foram anos de intenso trabalho, agora coroado com a renovação da concessão”, afirmou em publicação nas redes sociais. “Recuperar a Light seria manter viva a história da industrialização do Brasil. Hoje, digo mais: com a renovação, o Rio de Janeiro abre suas portas para toda a potência e oportunidades geradas pela eletrificação da economia, com seus ganhos sociais, ambientais e econômicos”, disse.

Tanure teve participação ativa nas negociações envolvendo a recuperação judicial e integrou o conselho de administração da Light durante parte do processo de reestruturação. Recentemente, porém, deixou o colegiado. Segundo informações apuradas pelo InvestNews, a saída, que ocorreu em março, foi feita em comum acordo com os acionistas de referência da companhia, entre eles o BTG Pactual e os investidores Carlos Alberto Sicupira e Ronaldo Cezar Coelho.

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