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Axia dá por encerrada a reestruturação e reforça participação em novos leilões

Ex-Eletrobras diz que agora vai elevar o patamar anual de investimentos. Leilão de baterias está entre os alvos

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A fase de reestruturação da ex-Eletrobras está encerrada. Segundo a gestão da Axia, 2026 começa com essa premissa no orçamento, incluindo nessa lógica mais apetite para investir em projetos e nos leilões do setor. “Entre nós, na diretoria executiva, a sensação é de que o turnaround acabou. E o orçamento de 2026 já reflete isso”, disse Ivan Monteiro, presidente da companhia na teleconferência de resultados nesta sexta-feira (27).

Segundo o executivo, 2025 foi marcado por uma “construção de base” para um crescimento que a empresa chama de sustentável, com redução de passivos da estrutura antiga e avanço em eficiência — incluindo uma queda no “PMSO”, sigla para as despesas do dia a dia com pessoal, materiais, serviços de terceiros e outros itens. Ivan também afirmou que a contribuição da inteligência artificial para essa redução ainda é pequena, mas com “potencial gigantesco” para os próximos anos.

A companhia também destacou movimentos que, segundo a gestão, reduziram a percepção de risco. Ivan citou como parte dessa agenda o acordo com o governo federal [de limitar o poder de voto de cada acionista – o governo tem 42%] a e a saída de ativos – no caso, a venda das térmicas que a empresa ainda detinha e a saída da complexa Eletronuclear.

Projetos, investimentos e leilões

A Axia disse que está dando atenção ao patamar de investimentos. Ivan comparou o nível atual ao histórico da companhia e citou R$ 9,6 bilhões investidos em 2025. Para 2026 e 2027, a empresa prevê atingir um patamar anual na faixa de R$ 12 bilhões a R$ 14 bilhões, sustentado por obras de transmissão (reforços e melhorias) e pela execução dos projetos conquistados em leilões.

A agenda de expansão passa por leilões de transmissão, de capacidade (compra de garantia de potência disponível para quando o sistema precisar) e de baterias para armazenamento, que colhem o excesso de energia durante o dia para soltar à noite. A empresa disse que chega a 2026 “mais organizada” para participar de certames e citou dois marcos já em março: o leilão de capacidade e o leilão de transmissão no fim do mês.

No tema capacidade, a gestão afirmou ver um potencial, em hidrelétricas, “passando aí de 6 GW” (meia Belo Monte) no longo prazo. Em baterias, a empresa disse ter um pipeline “acima de 4 GW”, mas ponderou que a capacidade de oferta depende das regras finais do leilão, ainda aguardadas – a expectativa do mercado, por ora, é a de que o leilão seja para metade disso, 2 GW.

Em transmissão, a Axia tratou os leilões como uma atividade contínua. Desde 2023 a empresa participou de 34 e venceu nove. Para 2026, a gestão citou o leilão de 27 de março, outro certame “pré-agendado” para o fim de outubro e a possibilidade de um “subleilão”, caso haja devolução de lotes por concorrentes.

Dividendos e alocação de capital

A companhia distribuiu R$ 8,3 bilhões em dividendos referentes ao resultado de 2025. Questionada sobre o impacto do lucro do trimestre na política de remuneração ao acionista, a gestão afirmou que a metodologia de alocação de capital não muda por causa do lucro assombroso no 4T25.

Ele foi de 13,7 bilhões – 12 vezes maior que no mesmo período do ano passado, por conta de benefícios fiscais que poderão ser usados no futuro. Ou seja, não é algo que vai se repetir todo trimestre. Ainda assim, o lucro recorrente cresceu bem, 141%, a R$ 1,25 bilhão.

A empresa deixa claro, de qualquer forma, que um trimestre de lucro fora da curva não faz diferença para a política de dividendos. Diz que que considera, para isso, um horizonte de cinco anos, com projeções de fluxo de caixa, gestão da dívida e premissas conservadoras para preços de energia não contratada. Traduzindo: mais pé no chão do que cabeça nas nuvens.

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Novo Mercado

A Axia afirmou que pretende submeter a decisão de migrar ao Novo Mercado da B3 a voto. A assembleia está marcada para 1º de abril. A mudança prevê unificação de classes de ações – acabam as PN; todas viram ON e dão direito a voto.

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