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Em recuperação judicial, Brasil Biofuels (BBF) vende operação de energia no Acre para gestora

Negócio retoma venda de ativos da BBF, que já foi uma das gigantes do biodiesel, após recuperação judicial de R$ 1,3 bilhão

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A gestora Geribá acertou a compra de uma subsidiária da Brasil Biofuels (BBF), empresa de biocombustíveis que está em recuperação judicial com mais de R$ 1,26 bilhão em dívidas.

O ativo em questão, apurou o InvestNews, é a operação de termelétricas em comunidades isoladas do Acre. A operação, fechada no início de abril, não teve valor divulgado e ainda depende de autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

O negócio marca a retomada da venda de ativos da BBF após a entrada em recuperação judicial, formalizada em outubro do ano passado, e dá continuidade a uma estratégia que já vinha sendo adotada meses antes, ainda na fase de proteção judicial, quando o grupo negociou uma planta de processamento de soja no Pará.

A BBF Acre opera em uma ponta sensível do sistema elétrico brasileiro. Suas usinas abastecem municípios fora do Sistema Interligado Nacional (SIN), como Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Santa Rosa do Purus e Jordão.

Em escala, são apenas 11,5 megawatts de capacidade instalada — um porte pequeno para os padrões do setor elétrico, acostumado a projetos com dezenas, centenas ou até milhares de megawatts, mas vital para cidades isoladas que dependem dessas unidades para manter a luz acesa.

Crise da BBF

Fundada em 2008 pelo empresário Milton Steagall, a BBF cresceu apoiada na integração entre óleo de palma e geração de energia a biodiesel, tornando-se uma das principais operadoras de sistemas isolados na Amazônia. O grupo chegou a reunir 13 empresas e operar em cinco estados da região Norte, com o discurso de transformar a matriz energética da região.

Há pouco tempo, o plano era de expansão agressiva. Em 2023, a companhia falava em atingir 238 megawatts de capacidade instalada e negociava com a Vibra Energia uma parceria para produzir combustível sustentável de aviação.

O plano não resistiu a uma combinação de choques. A crise começou a se desenhar ainda no início de 2024, quando o grupo já buscava proteção judicial diante de pressões operacionais, perdas com a seca – que chegaram a reduzir em até 40% a produção de palma – e restrição de crédito.

Sem acesso a novas linhas, contratos passaram a disparar cláusulas de vencimento antecipado – e o efeito dominó se instalou, como mostrou no ano passado o portal AgFeed.

Em um dos episódios mais emblemáticos da crise, uma termelétrica em Roraima teve sua operação suspensa pela Aneel após registrar baixa disponibilidade por mais de um ano.

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A parceria com a Vibra nunca saiu do papel, e a distribuidora hoje figura entre os credores. Em um ano, a BBF reduziu drasticamente sua operação: o número de funcionários caiu de 4.701 para 2.925. Nos nove primeiros meses de 2025, acumulou prejuízo de R$ 518 milhões. Pouco depois, anunciou que deixaria de ser companhia aberta.

Do lado comprador, a lógica é outra. A Geribá se posiciona como gestora de energia e real estate, mas construiu histórico comprando ativos em dificuldade, reestruturando e, eventualmente, reciclando capital – uma estratégia típica de situações especiais (“special sits“).

A lista recente ilustra o padrão. Em 2021, assumiu a Rodovias do Tietê, também em recuperação judicial. No ano seguinte, ficou com a Energias Renováveis do Brasil (ERB), empresa de geração distribuída, ao converter crédito em participação acionária

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