Newsletter

CEO da Berkshire Hathaway sugere que estas 4 empresas são ações “eternas” no portfólio

Na primeira carta após a saída de Warren Buffett, Greg Abel apontou essas ações como pilares de longo prazo e sinalizou pouca movimentação na carteira

Por
Publicidade

Charlie Munger comandou por décadas a carteira de ações — hoje avaliada em cerca de US$ 500 milhões — do Daily Journal, uma empresa de serviços jurídicos listada em bolsa; e, após a morte de Munger no fim de 2023, a companhia basicamente decidiu deixá-la como estava.

A Berkshire Hathaway pode estar fazendo algo parecido com a maior parte de sua carteira de ações de aproximadamente US$ 300 bilhões, depois que Warren Buffett deixou o cargo de CEO no fim de 2025. Munger era vice-chairman da Berkshire e parceiro de negócios de longa data de Buffett, além de ter presidido o Daily Journal por décadas.

Em sua carta inaugural aos acionistas, divulgada na manhã de sábado (28), o CEO da Berkshire, Greg Abel, identificou quatro grandes investimentos em ações da Berkshire: Apple, American Express, Coca-Cola e Moody’s.

Referindo-se às quatro empresas, Abel escreveu que são negócios que “entendemos bem, temos grande respeito por seus líderes e esperamos que componham valor ao longo de décadas. Essa abordagem concentrada vai continuar, com atividade limitada nessas participações, embora possamos ajustar de forma significativa uma posição se enxergarmos mudanças fundamentais em suas perspectivas econômicas de longo prazo”.

A Berkshire tem ações da Coca-cola desde a década de 1980. Fotógrafo: Shawn Michael Jones/Bloomberg

Essas ações representam mais da metade da carteira de ações da Berkshire, e Abel colocou as participações da Berkshire em cinco tradings japonesas — avaliadas em US$ 35 bilhões — no mesmo grupo. Juntas, essas nove ações somam dois terços do portfólio.

Abel acrescentou que a Berkshire tinha “posições relevantes em um pequeno número de outras empresas”, nas quais a “alocação de capital tem sido mais dinâmica”, e que elas poderiam se tornar parte das “participações centrais” da Berkshire.

Chama atenção o fato de que dois dos cinco maiores investimentos em ações da Berkshire — Bank of America e Chevron — não terem entrado nessa lista de “core holdings”. A Berkshire reduziu sua posição no Bank of America em aproximadamente metade, para 517 milhões de ações, avaliadas em cerca de US$ 28 bilhões, nos últimos 18 meses. A participação em Chevron totaliza cerca de US$ 20 bilhões.

A Berkshire mantém as participações em Coca-Cola e American Express há 40 anos ou mais, e a de Moody’s há mais de 20 anos. Essas ações são amplamente vistas como “para sempre” por observadores da Berkshire, em parte por causa do custo de aquisição extremamente baixo. A Berkshire pagou, em média, US$ 3 por ação da Coca-Cola no fim dos anos 1980, em comparação com o fechamento de US$ 81 na sexta-feira — um recorde.

A participação na Apple tem cerca de uma década. Buffett a reduziu em cerca de 80% desde o pico de alguns anos atrás, para 227 milhões de ações ao fim de 2025.

A afirmação de Abel sugere que a participação em Apple não deve ser reduzida mais. O custo médio de aquisição da Berkshire em Apple é de cerca de US$ 27 por ação, aproximadamente um décimo do preço atual, de US$ 264. O custo original da fatia de 1 bilhão de ações era em torno de US$ 35 por ação, mas a companhia aparentemente vendeu ações com custo mais alto para reduzir a grande conta de impostos gerada pelas vendas de Apple, principalmente em 2024.

A gestão do dia a dia da carteira de ações da Berkshire segue pouco clara com base nos comentários de Abel na carta.

Publicidade

Abel escreveu que “a responsabilidade, em última instância, recai sobre mim como CEO”. Abel, porém, não tem experiência como gestor de portfólio e já tem uma agenda cheia comandando as mais de 50 subsidiárias da Berkshire. Buffett já disse que a falta de experiência formal em investimentos não importa, argumentando que, se uma pessoa consegue avaliar negócios tão bem quanto Abel consegue, ela consegue escolher ações.

Greg Abel, ao centro, na assembleia anual da Berkshire Hathaway, em Omaha

Abel escreveu que Buffett estará no escritório cinco dias por semana e “estará disponível” para consultar sobre alocação de capital, incluindo investimentos em ações.

Ted Weschler, com cerca de 64 anos, é gestor de investimentos na Berkshire desde 2012. Ele e Todd Combs — que deixou a Berkshire em dezembro para assumir uma posição de investimentos no JPMorgan Chase — administravam, cada um, uma fatia estimada de 5% da carteira de ações, com Buffett cuidando do restante.

Esperava-se que Weschler tivesse um papel muito maior na carteira após a aposentadoria de Buffett como CEO. Mas Abel escreveu que Weschler administrará 6% dos investimentos, incluindo uma parte do que Combs geria — pouca coisa muda em relação ao que ele já comandava antes.

Esse arranjo é diferente do que a Berkshire afirmou quando contratou Weschler em 2011. “Depois que o sr. Buffett deixar de servir como CEO, Todd e Ted — possivelmente com a ajuda de mais um gestor — terão responsabilidade por toda a carteira de ações e de dívida da Berkshire, sujeita à direção geral do então CEO e do conselho de administração”, segundo o comunicado de 2011.

Abel escreveu em sua carta que “investimentos em ações são fundamentais para nossas atividades de alocação de capital”. Mas não está claro quem tomará as grandes decisões de escolha de ações. Alguns observadores da Berkshire acham que Abel reduzirá a ênfase em investimentos em ações como CEO.

Ainda é cedo para dizer, mas a ausência de um gestor responsável pelo portfólio inteiro no dia a dia — e a sugestão de Abel sobre “ações para sempre” — indica que novos investimentos em ações talvez não sejam uma grande fonte futura de criação de valor na Berkshire.

Exit mobile version