Na petição, a entidade afirmou que o negócio poderia ter impactos concorrenciais, sobretudo por reforçar o alinhamento entre Petrobras e Braskem em um mercado já altamente concentrado. Também criticou o grau de confidencialidade dos documentos e disse que a explicação pública do acordo “mais confundia do que esclarecia”.
O acordo em análise prevê a saída da Novonor (ex-Odebrecht) do bloco de controle e sua substituição por um fundo ligado à IG4, do empresário Paulo Mattos, com a Petrobras permanecendo como sócia relevante e co-controladora. As partes sustentam que se trata apenas de uma substituição de controlador, sem efeitos concorrenciais relevantes.
A resposta veio no dia seguinte. Em tom pouco amistoso, IG4 e Petrobras afirmaram que a Abiplast não tinha legitimidade para atuar no processo, que não apresentou dados ou provas concretas e que tentava levar ao Cade uma discussão sobre política comercial e estrutura histórica do setor – temas que, segundo as partes, não dizem respeito ao ato de concentração em análise. Pediram formalmente que a associação fosse excluída do processo e que o caso seguisse em rito sumário.
Três dias depois, em 23 de janeiro, a própria Abiplast protocolou nova manifestação: desistiu do pedido de intervenção e solicitou que sua petição anterior fosse integralmente desconsiderada. Segundo pessoas próximas ao tema, a avaliação nos bastidores foi de que a entidade não havia compreendido plenamente o desenho da operação e que, após conversas reservadas, optou por se retirar da discussão.
“Eles passaram a ver o acordo como positivo para o setor, porque preserva a Braskem. A preocupação inicial era com um eventual excesso de influência da Petrobras na gestão do dia a dia”, disse uma fonte ouvida pelo InvestNews.
Mudanças em stand-by
Até aqui, esta foi a única tentativa externa de ampliar o debate sobre o negócio dentro do Cade. A autarquia ainda não decidiu se dará aval à troca de controle. Enquanto isso, seguem em compasso de espera as discussões sobre mudanças na diretoria e no conselho da companhia, além do plano de reestruturação financeira.
Nos bastidores, ganhou força na semana passada o nome da CEO da Petrobras, Magda Chambriard, para assumir a presidência do conselho da Braskem, enquanto a cadeira de CEO da empresa ficaria com um nome indicado pela IG4.
