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Braskem: MPF pede que Cade considere caso de Alagoas na análise sobre troca de controle

Manifestação pede que impactos ambientais e garantias financeiras sobre reparação entrem na análise do acordo entre IG4, Petrobras e Novonor

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O Ministério Público Federal junto ao Cade pediu que a autarquia leve em conta os impactos ambientais do desastre em Maceió na análise da troca de controle da Braskem, operação que pode levar a gestora IG4 ao comando da petroquímica no lugar da Novonor (ex-Odebrecht).

Em manifestação protocolada na quinta-feira (12), o MPF afirma que o Cade deve ir além de uma análise estritamente concorrencial e considerar o passivo socioambiental da companhia como elemento relevante para avaliar a eficiência econômica da operação.

Vista de área após rompimento de mina da Braskem no bairro Mutange, em Maceió (REUTERS/Jonathan Lins)

O documento cita o afundamento do solo causado pela exploração de sal-gema em Maceió, que levou à desocupação de bairros inteiros e afetou mais de 60 mil pessoas, e lembra que a Braskem firmou em 2025 um acordo de R$ 1,2 bilhão com o governo de Alagoas para indenizações ambientais.

Para o MPF, a reestruturação societária da empresa não pode isolar esses passivos em estruturas sem liquidez, sob risco de comprometer a reparação integral dos danos. 

O Ministério Público pede que o Cade verifique o “lastro real de solvência” da nova estrutura de controle e condicione eventual aprovação à manutenção de garantias financeiras suficientes para cumprir obrigações socioambientais.

O caso tramita sob rito sumário, mas o Cade já indicou que fará análise mais aprofundada da operação, após manifestações de terceiros interessados. 

A troca de controle envolve também a Petrobras, que já abriu mão de exercer sua preferência na empresa e ficará com o co-controle da petroquímica junto com a IG4. 

A gestora de Paulo Mattos fechou em dezembro um acordo com os cinco bancos credores da Novonor (Banco do Brasil, Santander, Bradesco, Itaú e BNDES) para assumir as ações da antiga Odebrecht na Braskem dadas em garantia a esses bancos, em uma transação avaliada em R$ 20 bilhões.

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