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Braskem prepara plano de recuperação para apresentar a credores até março

Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, companhia pretende apresentar um plano para os crescentes problemas de dívida

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A Braskem pretende apresentar um plano para sua recuperação extrajudicial aos credores até março, buscando uma solução negociada para seus crescentes problemas de dívida, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Esse cronograma exige que a gestora IG4 Capital — que no mês passado avançou em um acordo para comprar a participação da Novonor na gigante petroquímica — tenha assumido a Braskem para negociar os termos, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas, pois as conversas não são públicas. As negociações estão em andamento e ainda podem fracassar ou encontrar obstáculos, acrescentaram.

A Novonor, conglomerado anteriormente conhecido como Odebrecht, e um fundo assessorado pela IG4 assinaram um acordo vinculante com os bancos credores para comprar toda a dívida da Novonor garantida por ações da Braskem.

As partes também estabeleceram um período de exclusividade de 60 dias para negociar uma transação envolvendo ações da Braskem que, se concluída, daria à IG4 o controle da empresa petroquímica, com pouco mais de 50% das ações com direito a voto e cerca de um terço do seu capital total. O acordo ainda precisa da aprovação dos órgãos reguladores brasileiros, mexicanos, europeus e americanos.

Camille Faria, ex-diretora financeira da Americanas, está entre os nomes cotados para assumir um cargo na diretoria da Braskem após a conclusão da venda da participação, segundo as pessoas familiarizadas com o assunto.

A Braskem e a IG4 não quiserem comentar. Camille Faria não respondeu imediatamente a pedidos de comentários.

Os preços da dívida da empresa despencaram no ano passado, depois que a Braskem contratou assessores para revisar sua estrutura de capital em meio a uma prolongada crise do setor e um desastre ambiental em uma de suas minas de sal-gema, que a obrigou a reservar bilhões em indenizações e custou sua classificação de grau de investimento. A Fitch sinalizou um risco “elevado” de refinanciamento e pressão sobre a liquidez, rebaixando a dívida da empresa para CC no final do ano passado.

Os títulos em dólar da companhia com vencimento em 2028 estão rendendo cerca de 54%, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Na semana passada, a empresa brasileira efetuou pagamentos referentes a alguns de seus títulos em dólar, aliviando a preocupação dos investidores. A empresa tem vencimentos na sexta-feira de seus títulos híbridos com vencimento em 2081 — que estão sendo negociados a cerca de 15 centavos de dólar.

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