A carteira foi adquirida pelo BRB por cerca de R$ 22 bilhões, mas chegou ao valor atual após substituições de ativos, revisões e provisões. O pagamento à vista, no entanto, será menor: a Quadra desembolsará entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões imediatamente ao banco.
O restante — entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões — ficará sob a forma de cotas subordinadas de um fundo, detidas pelo próprio BRB.
Como vai funcionar o pagamento
Para estruturar a transação, a Quadra criará um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), com cotas sênior e subordinada. Os fundos de crédito que a gestora já administra entrarão com os R$ 4 bilhões na cota sênior.
O BRB ficará com as cotas subordinadas — o que significa que o banco receberá mais ou menos dependendo do índice de recuperação de crédito que a Quadra obtiver ao longo do tempo.
A carteira é composta majoritariamente por crédito — cerca de R$ 12 bilhões — originados em operações de consignado, quase R$ 9 bilhões via CredCesta, e em financiamentos a empresas.
Os R$ 3 bilhões restantes estão em participações acionárias, que incluem desde fatias em uma concessionária de cemitérios e um grupo de restaurantes até ações de companhias abertas em dificuldades financeiras, como Oncoclínicas e Ambipar.
A efetivação do negócio está sujeita ao cumprimento de condições precedentes previstas no memorando. A transação faz parte de uma negociação mais ampla do BRB com o Banco Central, que inclui um possível apoio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ao banco, como antecipou o site Pipeline.
Quem é a Quadra Capital
A Quadra Capital é uma gestora especializada em crédito, infraestrutura e logística. Em 2022, venceu a privatização dos portos do Espírito Santo, tornando-se responsável pela gestão do primeiro porto do país a deixar de ser público.
A casa também arrematou um terminal de grãos no Porto de Paranaguá, ativo que foi posteriormente transferido para a FTSPar.
A gestora é comandada por Nilto Calixto Silva, sócio e gestor com passagem pela área de renda fixa do Credit Suisse.
