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Cade julga nesta semana aporte de US$ 100 milhões da United na Azul

Julgamento ocorre em meio à recuperação judicial da Azul nos EUA e pode afetar cronograma do Chapter 11

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O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) marcou para quarta-feira (11) o julgamento do aporte de US$ 100 milhões da United Airlines na Azul, após aceitar o recurso da associação IPSConsumo contra a aprovação técnica da operação.

A decisão mantém suspensa a certidão de trânsito em julgado, impedindo a conclusão formal do investimento até o julgamento do mérito.

O conselheiro relator, Diogo Thomson de Andrade, confirmou de forma definitiva a habilitação do IPSConsumo como terceiro interessado. Com isso, o Tribunal vai analisar os argumentos a favor e contra a operação. Se aprovado, o aporte elevará a participação da United para cerca de 8% do capital da Azul.

Aprovação em dezembro

A Superintendência-Geral do Cade havia aprovado o negócio sem restrições em dezembro, concluindo que o aumento de participação não gera riscos concorrenciais relevantes. No início de janeiro, o IPSConsumo pediu para entrar como terceiro interessado e solicitou uma análise mais aprofundada.

O instituto sustenta que o investimento não pode ser analisado isoladamente. O instituto afirma que a presença simultânea da United na Azul e em estruturas ligadas à Abra — controladora de Gol e Avianca —, somada a alianças comerciais no setor, pode facilitar troca de informações sensíveis e reduzir a concorrência em rotas entre Brasil e Estados Unidos.

Azul e United rebatem. Nos autos, as empresas dizem que o investimento é minoritário, não confere controle ou veto e apenas reforça uma parceria comercial existente há mais de uma década.

Segundo as companhias, o aporte integra a reestruturação financeira da Azul no Chapter 11, o equivalente dos EUA à recuperação judicial no Brasil, e fortalece sua capacidade competitiva sem alterar a dinâmica do mercado.

Efeito dominó

O caso ganhou peso extra porque a American Airlines também tem acordo para aportar US$ 100 milhões na Azul, mas pretende anunciar o investimento só após o desfecho no Cade.

A Azul quer encerrar o Chapter 11 até o fim de fevereiro. O julgamento virou peça crítica do cronograma financeiro da companhia.

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