O grupo afirmou que pretende acelerar os ganhos de participação de mercado no Brasil, na Espanha e na França, após uma revisão estratégica que levou à concentração das operações em países-chave. No caso brasileiro, a meta é atingir 20% de market share (participação no total das vendas do setor) até 2030, combinando expansão da rede, modernização de lojas e maior eficiência operacional.
Em 2025, a operação brasileira representou 22% das vendas consolidadas, sendo o segundo maior mercado do Grupo Carrefour no mundo, atrás apenas da França, que respondeu por 51%. A Espanha, terceiro maior negócio, representou 13% das vendas. “O Brasil é um mercado onde temos liderança e escala”, afirma Pablo lorenzo, que assumiu a operação brasileira em julho passado. Segundo ele, há um “enorme potencial de geração de valor” do Carrefour Brasil.
Segundo números da Abras, associação que representa os varejistas alimentares no país, o grupo é o maior em faturamento em todo o país, seguido pelo Assaí. O segundo colocado, no entanto, opera apenas no atacarejo, enquanto o francês opera supermercados sob a bandeira que leva o nome do. grupo, o Atacadão e o clube de compras Sam’s Club.
No último trimestre, porém, o fraco desempenho de todo o setor alimentar no Brasil pesou na operação nacional. Apesar da queda no preço de algumas commodities como o arroz, o volume de vendas não melhorou o suficiente e continuou negativo no último trimestre do ano. A venda bruta no quarto trimestre não cresceu, se mantendo em € 5,19 bilhões – valor igual ao registrado um ano antes.
No Atacadão, as vendas caíram 0,4% no trimestre, um resultado é pior do que o do Assaí, que cresceu 0,9% Tanto o Carrefour quanto o concorrente apontam que o consumidor segue com o poder de consumo limitado pelo endividamento e o alto patamar de juros. Terceiro maior grupo em faturamento no país, o Grupo Mateus, do nordeste, ainda não publicou seu resultado.
O plano prevê investimentos em expansão e modernização de cerca de US$ 1,9 bilhão em 2026, com avanço gradual para aproximadamente US$ 2,2 bilhões até 2030, priorizando crescimento orgânico, digitalização e uso intensivo de dados e inteligência artificial. O recente fechamento de capital da operação brasileira (Carrefour Brasil) e o refinanciamento de dívidas no país ampliaram a flexibilidade financeira para sustentar esse ciclo de investimentos.
Marca própria e tecnologia
Entre as estratégias apresentadas está o aumento da fatia de produtos de marca própria. A projeção da empresa é de que eles cheguem a 40% das vendas de alimentos já em 2026. O Carrefour vai continuar expandindo suas marcas próprias a um ritmo 1,5 vez mais rápido do que as marcas nacionais e anuncia o lançamento, no Brasil, da marca própria “Bulnez” — uma nova marca de entrada (primeiro preço) que pretende oferecer 500 itens no Atacadão até 2028, para responder aos desafios de poder de compra.
O Carrefour também anunciou parceria com a VusionGroup para digitalizar seus hipermercados e supermercados na França, incluindo a implementação de etiquetas eletrônicas e soluções de eficiência operacional.
A companhia também mantém parceria com o Google em “comércio agente”, que utiliza agentes de IA para apoiar decisões de compras online. O plano prevê investimentos de € 100 milhões por ano (cerca de US$ 110 milhões) em projetos de inteligência artificial.
Metas financeiras até 2030
O plano liderado pelo CEO Alexandre Bompard estabelece corte anual de custos de cerca de US$ 1,1 bilhão (meta de € 1 bilhão por ano até 2030), além de margem operacional recorrente de 3,2% em 2028 e 3,5% em 2030.
A estratégia também prevê geração de € 5 bilhões em fluxo de caixa livre líquido acumulado entre 2026 e 2028 (cerca de US$ 5,4 bilhões), sustentada por expansão do modelo de franquias, sobretudo em lojas de proximidade, disciplina de capital e desinvestimento em ativos considerados não essenciais.
França e Espanha completam o tripé
Na França, o objetivo é atingir 25% de participação de mercado até 2030, com abertura de 1.000 lojas de conveniência, reforço na competitividade de preços e fortalecimento da marca própria e do programa de fidelidade.
Na Espanha, onde ocupa a segunda posição no setor, o grupo planeja abrir mais de 750 novas lojas até 2030, ampliando a presença no formato de proximidade e mantendo a disputa por preços como eixo central da estratégia.
Apesar das metas ambiciosas, analistas destacam que o grupo enfrenta desafios estruturais em mercados altamente competitivos como França e Brasil. A aposta da administração é que a combinação entre foco geográfico, digitalização e disciplina financeira permita elevar margens e fortalecer a geração de caixa ao longo da próxima década.
