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Tim Cook? Satya Nadella? O CEO mais bem pago de 2025 vende móveis

Em ano de remuneração recorde para a alta cúpula americana, CEO e fundador da Wayfair lidera ranking com pacote de US$ 280 milhões

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A remuneração de CEO não tem feito muito sentido. Veja Tim Cook, o manda-chuva da Apple prestes a deixar o comando da companhia, que recebeu um total acumulado de US$ 2.396.887.967 em remuneração desde que assumiu o cargo, em agosto de 2011, segundo a empresa de pesquisa Equilar.

Faz sentido um CEO que não é fundador acabar com bilhões no bolso? Bem, quando Cook sucedeu Steve Jobs, o valor de mercado da Apple era de US$ 349 bilhões. Hoje, está em US$ 4 trilhões. 

Ou seja, o valor de mercado da Apple ganhou US$ 3,6 trilhões sob o “capitão” Cook. Sua remuneração total de cerca de US$ 2,4 bilhões? Meros 0,0655% desse ganho de market cap.

O ponto não é o quão pequeno é esse percentual, e sim o quão arbitrário é. A remuneração de Cook deveria ter sido o dobro? E como saberíamos qual é o valor certo?

Quando o assunto é remuneração de CEO, cada pergunta gera mais perguntas.

Em alta

Uma verdade incontestável é que a remuneração de CEO sobe sem parar. E em 2025 subiu mais que nunca. A Equilar aponta que a remuneração anual mediana dos CEOs das grandes companhias atingiu US$ 29.422.666, recorde histórico, com alta de 23,2% sobre 2024, contra um avanço médio de 10%. 

Cinco CEOs receberam pacotes de remuneração de nove dígitos no ano passado, contra apenas um em 2024. A Equilar listou os maiores pacotes de remuneração em companhias com receita de pelo menos US$ 1 bilhão em 2025, com base nos formulários mais recentes apresentados à SEC, a comissão de valores mobiliários americana, até 31 de março. Os dados se referem ao exercício de 2025.

Para contextualizar: o retorno total mediano para acionistas nessas companhias foi de 20% no ano passado, na mesma faixa do reajuste dos CEOs. Ainda assim, os comitês de remuneração não tinham como saber disso na hora de definir os pacotes. 

Por que, então, os CEOs ganharam tanto em 2025? “Parte da resposta pode estar na inteligência artificial”, diz Amit Batish, diretor sênior de conteúdo da Equilar. “As empresas querem reter seus CEOs num período de transição como este. E companhias como Broadcom, Ralph Lauren e Danaher já têm metas concretas de implementação de IA atreladas aos planos de remuneração.”

Há basicamente dois tipos de CEO no topo dessas listas. Os primeiros são os perenes, comandantes das maiores empresas do mundo, muitas com retorno consistente para o acionista, cujos conselhos se sentem compelidos a pagar dezenas de milhões. 

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É o caso de Satya Nadella, da Microsoft (US$ 96,5 milhões no ano passado), Hock Tan, da Broadcom (US$ 205,3 milhões), e o próprio Tim Cook (US$ 74,3 milhões).

O segundo grupo é o dos atípicos, CEOs que recebem pacotes únicos e gigantescos, aparecem nos rankings e desaparecem em seguida. 

O CEO campeão de 2025

O CEO mais bem pago de 2025, Niraj Shah, da Wayfair, varejista online de móveis e produtos para casa sediada em Boston, parece se encaixar nesse segundo time. 

Shah ganhou um pacote de US$ 280.847.068, dos quais 98,89% em ações condicionadas a desempenho, que só serão efetivadas se ele permanecer no cargo e a ação da Wayfair se valorizar 675% nos próximos dez anos. Isso colocaria o papel a US$ 630,93, contra a cotação recente de US$ 81,41. A remuneração em dinheiro, incluindo benefícios, soma modestos US$ 289.568.

A Wayfair, vale lembrar, foi uma dos queridinhas da era da pandemia, com as ações disparando de US$ 21 para US$ 342 no primeiro semestre de 2020 antes de recuar para US$ 24 na primavera passada.

Shah, que cofundou e controla a empresa com seu colega de Universidade Cornell Steve Conine, é CEO desde a fundação. “O pacote reforça nosso compromisso com a liderança fundadora do CEO Niraj Shah e o alinhamento de longo prazo com os acionistas”, disse um porta-voz da Wayfair à Barron’s.

Quanto ao caráter caprichoso desse mundo, considere que o CEO da companhia com o pior retorno total ao acionista da lista no ano passado foi Shantanu Narayen, veterano à frente da Adobe. Narayen já foi um CEO com ares de rock star, mas sua ação foi vítima do “SaaSpocalipse” e caiu 38% em 2025. 

Não combina muito com os US$ 51,1 milhões de remuneração de Narayen, cerca de US$ 20 milhões a mais do que o CEO de melhor retorno para acionistas na lista. Esse título pertence a Kevin Hochman, da Brinker International, dona da rede de restaurantes Chili’s Grill & Bar e da Maggiano’s Little Italy. A ação subiu 149%, e ele recebeu “meros” US$ 30,4 milhões.

Além da remuneração, outro item vem subindo de maneira expressiva nos últimos tempos: o gasto médio com a segurança dos CEOs subiu 136% desde 2021, para US$ 130.428 por ano.

Parece que alguns CEOs estão tentando evitar um momento “cortem-lhes a cabeça”.

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