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Chanel, Kering e LVMH são credores da Saks e têm US$ 225 milhões a receber

As marcas reduziram o envio de produtos ou cancelaram pedidos ao longo do último ano, deixando as lojas da Saks com aparência pouco luxuosa

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Os pagamentos atrasados da Saks Global Enterprises a marcas de luxo tiveram um papel fundamental em acelerar o declínio da varejista e empurrá-la para a recuperação judicial.

As marcas reduziram o envio de produtos ou cancelaram pedidos ao longo do último ano aproximadamente, deixando as lojas da Saks com aparência pouco luxuosa. Agora, documentos judiciais do pedido de Chapter 11, protocolado logo após a meia-noite de quarta-feira, ajudam a explicar por que as grifes estavam tão receosas: algumas têm créditos de dezenas de milhões de dólares a receber.

No topo da lista está a Chanel, com US$ 136 milhões a receber, segundo documentos apresentados no Texas, onde a Saks pediu proteção contra credores. Em seguida vem a Kering, dona de marcas como Gucci e Balenciaga, com cerca de US$ 60 milhões.

Outros credores, com valores em torno de US$ 30 milhões, incluem a Capri Holdings, dona da Michael Kors e da Jimmy Choo; a Mayhoola LLC, proprietária da Valentino juntamente com a Kering; a LVMH, dona da Louis Vuitton e da Christian Dior; e a Compagnie Financière Richemont, controladora da Cartier e da Van Cleef & Arpels.

As marcas não responderam aos pedidos de comentário.

Restabelecer relações com as principais grifes de luxo do mundo será crucial para o novo diretor-presidente, Geoffroy van Raemdonck, já que a Saks precisa que elas continuem enviando mercadorias enquanto tenta reestruturar suas finanças.

As dívidas com marcas e outros fornecedores de produtos e serviços são consideradas créditos quirografários no tribunal de falências — um tipo de passivo que, em geral, é pago com apenas alguns centavos por dólar em processos de Chapter 11.

Ainda assim, alguns fornecedores esperam recuperar mais. Gary Wassner, CEO da empresa de financiamento Hilldun Corp., afirmou que as várias dezenas de marcas de moda que ele representa têm cerca de US$ 66 milhões a receber. Segundo ele, se essas marcas e as grandes grifes serão pagas nos próximos meses dependerá de a Saks Global se tornar lucrativa após sair da recuperação judicial.

“Quanto mais eles ganharem, mais pagarão aos credores quirografários”, disse Wassner em entrevista.

“Acredito que a nova gestão tomará medidas para reduzir custos operacionais, aumentar margens e transformar isso em uma situação lucrativa”, afirmou, acrescentando que isso seria “em benefício de toda a indústria da moda”.

Alguns fornecedores, porém, podem já ter desistido da Saks — e buscado vender seus produtos em outros lugares. “Qualquer fornecedor que não esteja recebendo começa a pensar no que mais pode fazer com sua mercadoria”, disse Dennis Cantalupo, CEO da Pulse Ratings, empresa de classificação de crédito e consultoria.

A Saks Global afirmou em comunicado, na quarta-feira, que espera conseguir fazer “pagamentos correntes” aos fornecedores.

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As lojas do grupo — que incluem Saks Fifth Avenue, Neiman Marcus e Bergdorf Goodman — permanecerão abertas durante o processo de recuperação judicial, acrescentou a empresa.

Ex-CEO do Neiman Marcus Group antes da aquisição, van Raemdonck está trazendo vários ex-colegas de sua época no Neiman, incluindo Brandy Richardson como diretora financeira e Darcy Penick como diretor comercial.

A Brunello Cucinelli SpA, que tem US$ 21,3 milhões a receber, disse confiar na nova gestão.

A empresa acredita que a equipe da Saks “será capaz de conduzir esta histórica loja de departamentos com grande distinção”, afirmou Brunello Cucinelli, fundador da marca que leva seu nome, em comunicado divulgado na quarta-feira.

A Saks Fifth Avenue já vinha atrasando pagamentos a marcas que lhe enviavam mercadorias quando sua controladora adquiriu a rival Neiman Marcus Group, em dezembro de 2024. O negócio foi financiado com cerca de US$ 2 bilhões em títulos, que a Saks Global Enterprises — como a nova empresa passou a se chamar — logo passou a ter dificuldade para honrar, atrasando ainda mais e prolongando os valores devidos aos fornecedores.

Algumas marcas, temendo não receber, cancelaram remessas ou passaram a exigir condições de pagamento mais rígidas, o que piorou ainda mais a situação financeira da Saks. Menos mercadorias deixaram as lojas com prateleiras mais vazias, afastaram consumidores e aceleraram o declínio da empresa.

Algumas marcas chegaram a entrar com ações judiciais. A Jovani Fashion Ltd., com sede em Nova York, processou a empresa em outubro, alegando que a Saks e a Neiman lhe devem US$ 295.651, mais juros, por mercadorias fornecidas.

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