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Anglo e Teck, Rio Tinto e Glencore: Corrida pelo cobre impulsiona megafusões na mineração

Metal essencial para data centers, carros elétricos e defesa virou ativo estratégico e está por trás das negociações entre Rio Tinto e Glencore

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A onda de megafusões no setor de mineração tem um protagonista claro: o cobre. A disparada na demanda pelo metal — impulsionada por inteligência artificial, transição energética e rearmamento global — vem levando grandes grupos a disputar ativos e redesenhar o mapa global do setor.

As conversas entre Rio Tinto e Glencore para formar a maior mineradora do mundo, com valor de mercado superior a US$ 200 bilhões, são o exemplo mais recente dessa corrida. Segundo reportagem do The Wall Street Journal, o principal motor por trás dessas negociações é a necessidade de ampliar a exposição ao cobre, considerado hoje um dos insumos mais estratégicos da economia global.

O metal, usado em fiação elétrica, placas de circuito e infraestrutura energética, é peça-chave para sustentar o avanço de data centers, inteligência artificial, veículos elétricos e energias renováveis. Também ganhou peso com o aumento dos gastos militares: munições e diversos equipamentos bélicos consomem grandes volumes de cobre.

A pressão sobre preços já é visível. Nos Estados Unidos, a cotação do cobre atingiu recorde histórico nesta semana, com alta acumulada de 41% em 2025 e nova valorização em 2026, fechando a US$ 5,9245 por libra em Nova York.

O problema é que a oferta não acompanha o ritmo da demanda.

Estimativas da S&P Global apontam que, se a produção não acelerar, o mundo pode enfrentar um déficit de 10 milhões de toneladas por ano até 2040 — cerca de 25% da demanda projetada. “O que está em jogo é se o cobre continuará sendo um habilitador do progresso ou se se tornará um gargalo para o crescimento e a inovação”, disse Daniel Yergin, vice-presidente da consultoria.

Nos EUA, o cobre passou a integrar em 2024 a lista oficial de minerais críticos do governo, abrindo espaço para políticas de estímulo à produção doméstica.

Atalho

Como novas minas podem levar décadas para entrar em operação, aquisições e fusões viraram o caminho mais rápido para aumentar produção e garantir reservas.

O WSJ lembra que a retomada das conversas entre Rio Tinto e Glencore ocorre na esteira de outras tentativas de consolidação do setor. Em 2025, a Anglo American fechou sua fusão com a canadense Teck Resources, em um processo que também atraiu interesse da BHP.

“Megafusões na mineração voltaram — e, na maioria dos casos, o elemento central é o cobre”, escreveram analistas do Jefferies.

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Mina de ferro da Rio Tinto em Pilbara, na Austrália (foto: divulgação)

Uma eventual combinação entre Rio Tinto e Glencore faria com que o cobre respondesse por 36% do lucro da empresa combinada, superando o minério de ferro como principal fonte de resultado, segundo o Jefferies.

A Glencore detém participação relevante em grandes minas no Chile e ativos espalhados por vários países, e anunciou recentemente planos para elevar produção — inclusive com a reativação de uma mina na Argentina. 

A Rio Tinto, por sua vez, controla a mina de Kennecott, nos EUA, e um projeto de grande escala no Arizona que pode vir a suprir até um quarto da demanda americana quando entrar em operação.

Pressão estrutural

A inteligência artificial vem adicionando uma camada estrutural à demanda. Segundo a BloombergNEF, os data centers devem consumir mais de 4,3 milhões de toneladas de cobre na próxima década — o equivalente a quase um ano inteiro de produção do Chile, o maior produtor mundial.

A transição energética também pesa: a demanda ligada a veículos elétricos deve subir de 1,3 milhão de toneladas em 2025 para 2,3 milhões em 2030, segundo a Benchmark Minerals Intelligence.

Ao mesmo tempo, analistas alertam que o consumo chinês — responsável por cerca de metade da demanda global — já não cresce no mesmo ritmo de anos anteriores, o que pode introduzir volatilidade.

Ainda assim, o consenso entre bancos e consultorias é que o cobre deve permanecer como um dos ativos estratégicos mais disputados da próxima década, com impacto direto sobre fusões, investimentos e geopolítica dos recursos naturais.

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