“Já estamos vendo em muitos mercados o sentimento do consumidor cair”, disse Martin Sander, responsável pelas vendas de carros de passeio da marca VW, nesta quinta-feira (12) durante um evento do setor em London. “Os consumidores já estavam lidando com muita incerteza e isso agora, naturalmente, adiciona mais uma camada de ansiedade.”
A diretora-gerente da Volvo no Reino Unido, Nicole Melillo Shaw, afirmou que teme que a incerteza leve os consumidores a adiar ou até cancelar a compra de veículos.
“Se eu não preciso comprar e tenho outras preocupações, como o aumento do custo de vida, talvez eu simplesmente não compre um carro novo”, disse ela no mesmo evento organizado pela Society of Motor Manufacturers and Traders, principal associação do setor automotivo do Reino Unido.
As montadoras enfrentam queda nos lucros após tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que aumentaram a pressão sobre um setor que já tenta conter a desaceleração na China. A transição desigual para veículos elétricos também representa um desafio, diante da crescente concorrência de fabricantes chineses, que vêm conquistando consumidores na Europa com modelos mais acessíveis.
Embora as cadeias de suprimento ainda não tenham sido afetadas pelo conflito com o Iran, os negócios no Oriente Médio “basicamente pararam”, disse Sander.
O presidente-executivo da BMW, Oliver Zipse, afirmou mais cedo nesta quinta-feira que a guerra ainda não afetou as cadeias de suprimento ou as vendas da empresa.
“Até o momento, não temos interrupções na produção nem nos mercados”, disse o executivo em entrevista à Bloomberg Television. “Em 2020 tivemos a covid, no ano seguinte problemas na cadeia de suprimentos de semicondutores, depois crise energética — então vamos responder como sempre fizemos.”
