Com a decisão, a produção do segmento passará a ser concentrada nas fábricas de Criciúma (SC) e Botucatu (SP). A companhia enquadra a medida como parte de sua estratégia para otimizar a capacidade instalada, ampliar a produtividade e elevar a eficiência operacional e garante que o portfólio de revestimentos cerâmicos e a atuação das marcas Portinari e Ceusa não serão afetados.
O fechamento da planta deve resultar no desligamento de 159 funcionários. Outros 30 permanecerão temporariamente para auxiliar na liquidação do estoque da unidade, enquanto 24 serão transferidos para Criciúma, conforme informou o Sindicato dos Trabalhadores Ceramistas e Construção Civil.
A Dexco afirmou que o encerramento não deve gerar efeito material nas suas demonstrações financeiras, com os custos da operação classificados como não recorrentes. Segundo a empresa, a medida visa garantir a sustentabilidade de longo prazo do negócio, preservar o atendimento aos clientes e reforçar a disciplina na execução de sua estratégia industrial e financeira.
Divisão no vermelho
O anúncio vem semanas depois de a Dexco reportar resultados acima das expectativas no primeiro trimestre. A companhia registrou EBITDA de R$ 478 milhões entre janeiro e março — alta de 38% na comparação anual e de 15% frente ao trimestre anterior —, número 10% acima das estimativas do mercado. A geração positiva de caixa ajudou a reduzir a alavancagem para 3 vezes a relação dívida líquida/EBITDA.
Ainda assim, a divisão de revestimentos cerâmicos, justamente a área impactada pelo fechamento, segue operando em ambiente desafiador. No primeiro trimestre, o segmento registrou EBITDA negativo de R$ 4 milhões, embora tenha mostrado melhora tanto na comparação trimestral quanto anual, beneficiada por iniciativas de corte de custos e maior disciplina nas despesas, segundo relatório do BTG Pactual.
Analistas do Safra avaliaram positivamente a decisão. A unidade de Urussanga tem capacidade de produção de cerca de 4 milhões de metros quadrados de cerâmica, o equivalente a aproximadamente 25% da capacidade total da divisão. Com a transferência da produção para Criciúma e Botucatu, o banco estima que a taxa de utilização da capacidade instalada do segmento pode subir para cerca de 75% em 2026.
O Safra também quantificou o potencial ganho de margem: com base em dados históricos desde 2019, cada avanço de 10 pontos percentuais na utilização da capacidade tende a elevar a margem EBITDA do segmento em cerca de 5,4 pontos percentuais — sinal de que a reestruturação pode, no médio prazo, transformar a divisão de cerâmica em um contribuidor mais relevante para os resultados da companhia.
