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Embraer: lucro em queda, em meio à corrida para vender o C-390 aos EUA e à Índia

Companhia renova recordes na carteira de pedidos e na entrega de aeronaves executivas, mas amarga queda de 59% no lucro

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Por décadas, a Embraer foi conhecida no mundo como a fabricante brasileira de jatos regionais. Hoje, a divisão que mais cresce — e que o CEO Francisco Gomes Neto mais faz questão de destacar — é a de defesa.

No primeiro trimestre de 2026, a receita com os aviões militares saltou 63%, para US$ 227 milhões, com margem de 17% — a melhor entre todos os segmentos da companhia no período. O cargueiro C-390, desenvolvido com recursos do governo brasileiro, está no centro dessa virada.

O contrato mais recente é com os Emirados Árabes Unidos: dez aeronaves vendidas. É o décimo país a encomendar o cargueiro – e o primeiro do Oriente Médio.

“Isso abre oportunidade para novos negócios com os vizinhos da região”, disse Gomes Neto na teleconferência com analistas nesta sexta-feira.

A empresa já negocia o C-390 com as Forças Armadas da Índia e dos Estados Unidos. Em ambos os casos, a condição para fechar negócio é produzir localmente. Na Índia, o projeto exigirá montagem no país com fornecedores locais. Nos EUA, a Embraer trabalha com a Northrop Grumman de modo a preparar a aeronave para concorrer à Força Aérea americana. “Se ganharmos um pedido relevante, a aeronave será montada nos Estados Unidos também.”

A meta é chegar a dez C-390 entregues por ano até o final da década. Hoje são seis.

Um trimestre de recordes — mas com queda no lucro

O crescimento em defesa acontece num trimestre em que a Embraer avançou em todas as frentes. A receita líquida consolidada subiu 31% na comparação anual, para US$ 1,4 bilhão. A carteira de pedidos atingiu recorde histórico de US$ 32,1 bilhões. As entregas cresceram 47%, para 44 aeronaves.

Na aviação executiva, foram 29 jatos entregues — o melhor primeiro trimestre da história da empresa no segmento.

Mas o lucro caiu: -59,7%, para R$ 174,8 milhões. E o mercado não gostou: ações tombavam 10%, a R$ 74,72, às 12h30.

As tarifas de importação dos EUA já aparecem no balanço: US$ 13 milhões de impacto no primeiro trimestre, outros US$ 11 milhões esperados para o segundo. Mas o guidance para 2026 — 85 jatos comerciais e entre 160 e 170 executivos — foi mantido.

Outro risco começa a ganhar atenção: a escalada do preço do combustível pressiona as companhias aéreas, que já cortam e cancelam voos. Por ora, nenhum cliente pediu adiamento de entrega ou de processo de vendas.

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“Estamos monitorando isso de perto”, disse Gomes Neto. “Até agora, não houve impacto para nós.”

O CEO reconhece, no entanto, que o aumento dos custos inevitavelmente afetará os planos de expansão das aéreas. Sua aposta é que, nesse ambiente, os jatos comerciais E2 — que consomem menos combustível em relação à concorrência direta — saia na frente.

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