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Excesso de energia renovável está levando a rede ao seu ‘limite físico’ na Alemanha

CEO da maior distribuidora de lá pede para que o que o país freio o avanço de plantas eólicas e solares

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CEO da EON, a maior distribuidora de energia elétrica da Alemanha, afirmou que a maior economia da Europa deveria frear o ritmo de expansão da energia eólica e solar, dizendo que as redes elétricas do país estão com dificuldades para lidar com a onda de novos projetos renováveis.

O sistema de eletricidade da Alemanha está chegando aos seus limites físicos em várias regiões. Isso aumenta a conta de luz, já que as distribuidoras lá precisam pagar compensações a usinas eólicas e solares que são obrigadas a reduzir a geração nos picos de fornecimento, disse o CEO Leonhard Birnbaum em entrevista ao jornal Sueddeutsche Zeitung publicada no domingo.

Dessa forma, a geração renovável tem aumentado os preços de energia. Birnbaum disse que é a favor de reduzir as metas de expansão de renováveis na Alemanha, argumentando que a demanda de energia na Europa está estagnada há anos, ao contrário do que previam projeções anteriores ligadas à eletrificação.

“As renováveis já venceram — elas já respondem por mais de 60% da nossa eletricidade”, afirmou Birnbaum na entrevista. “Neste estágio, não faz mais sentido subsidiar maciçamente nova capacidade, especialmente quando mais uma turbina eólica adiciona custos, mas quase nenhum benefício.”

Como uma das maiores operadoras de redes de distribuição da Europa, a EON desempenha um papel central na eletrificação da economia. Os comentários de Birnbaum ressaltam a crescente preocupação em torno da transição energética alemã, à medida que a congestão nas redes se intensifica, os custos de corte de geração sobem para a casa dos bilhões e fábricas enfrentam dificuldades para obter conexão em tempo hábil.

Birnbaum disse esperar queda nos preços de energia elétrica e gás no ano que vem, ajudada por subsídios do governo às tarifas de rede, mas alertou que são necessárias mudanças regulatórias para manter a confiabilidade do sistema e apoiar a competitividade da indústria.

Mesmo após uma forte expansão das renováveis, a Alemanha continua dependendo de combustíveis fósseis para manter as luzes acesas quando a demanda dispara ou a geração eólica e solar recua. Essa dependência ficou mais evidente desde o fechamento das últimas usinas nucleares do país, em 2023. O governo lançará no ano que vem uma licitação para uma nova frota de usinas a gás que substituirão termelétricas a carvão que estão sendo desativadas.

Por Monica Raymunt

Foto da Abertura: Adobe Stock

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