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Família Batista reorganiza J&F para acessar o mercado internacional de dívida

Holding incorpora Eldorado Brasil e LHG Mining para centralizar gestão financeira e melhorar perfil de crédito

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A família Batista está reformulando sua holding J&F em uma tentativa de melhorar o acesso aos mercados de dívida e ganhar agilidade na gestão de capital. A empresa incorporou formalmente seus negócios de celulose, mineração e bens de consumo, centralizando a gestão financeira do conglomerado.

A J&F retirou o termo “Investimentos” de seu nome e incorporou a produtora de celulose Eldorado Brasil — recomprada integralmente no ano passado após disputa com a Paper Excellence —, a mineradora LHG Mining e a empresa de cosméticos Flora. O CEO Aguinaldo Ramos Filho, sobrinho de Joesley e Wesley Batista, confirmou a mudança em entrevista à Bloomberg.

As operações continuarão separadas, mas a gestão financeira ficará concentrada na holding. “A J&F é um grupo familiar com operações globais e estratégicas, receita em moeda forte e um portfólio de projetos de longo prazo”, disse Ramos Filho. “Nossa ideia é fortalecer o conglomerado e centralizar a gestão financeira dentro do grupo.”

No ano passado, a empresa já havia incorporado a Âmbar Energia à estrutura. A JBS, companhia de carnes listada na Bolsa de Nova York desde 2025, continuará operando de forma independente, embora a J&F ainda detenha cerca de 50% de suas ações.

Governança

A nova governança prevê um conselho de administração com sete membros, incluindo o fundador da JBS, José Batista Sobrinho, e seus filhos Wesley e Joesley Batista, que será o presidente do colegiado.
As outras quatro cadeiras serão ocupadas por conselheiros independentes, entre eles o ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles. A holding também criará um conselho fiscal e um comitê de auditoria independente.

Ramos Filho permanece como CEO, enquanto Fernando Storchi, atual presidente da Eldorado, assumirá o cargo de diretor financeiro. O conglomerado registrou receita de R$ 490 bilhões nos 12 meses encerrados no terceiro trimestre de 2025.

A estratégia contrasta com a de outras holdings brasileiras, como Cosan e Simpar, que mantêm subsidiárias listadas em bolsa. Segundo Ramos Filho, a J&F pretende preservar o controle dos negócios, e qualquer eventual oferta pública inicial envolveria a holding, não unidades individuais.

Mercado de dívida

A nova estrutura já foi apresentada às agências de classificação de risco. S&P Global Ratings e Fitch atribuíram à empresa nota BB+ com perspectiva estável, enquanto a Moody’s classificou a J&F como Ba1, também com perspectiva estável – todos um nível abaixo do grau de investimento da JBS.

A empresa também quer melhorar seu perfil de crédito padronizando a apresentação de resultados e ampliando a transparência das divulgações. Além disso, prepara-se para uma possível janela de emissão de ações, segundo Storchi.

“A empresa deseja alongar os prazos de vencimento da dívida e avaliará as melhores opções de emissão”, disse Ramos Filho, acrescentando que a J&F planeja acessar mercados de dívida no Brasil e no exterior.
Embora a JBS permaneça separada, seu grau de investimento, escala operacional, geração de caixa e histórico com investidores servem como referência para o perfil de crédito da holding.

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Ramos Filho afirmou que o grupo não busca aquisições específicas no momento, mas quer estar preparado para grandes oportunidades. Em outubro, a Âmbar concordou em adquirir um ativo nuclear da Axia Energia, antiga Centrais Elétricas Brasileiras, por R$ 535 milhões.

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