Durante uma conferência anual em Las Vegas, a divisão de computação em nuvem da empresa exibiu um conjunto de soluções capazes de criar agentes de IA e monitorar seu desempenho dentro das companhias.
Entre as novidades, está uma espécie de caixa de entrada dedicada para que os bots registrem informações e relatórios de progresso. O Google também anunciou atualizações em seu pacote de produtividade Workspace e apresentou uma visão na qual agentes de IA reformulam profundamente a rotina de trabalho.
Embora pesquisadores da empresa tenham desenvolvido parte significativa da tecnologia que impulsionou o atual boom de IA, o Google agora enfrenta uma disputa acirrada com concorrentes na corrida por contratos corporativos. Com investimentos previstos de até US$ 185 bilhões em capital neste ano, investidores esperam que a companhia consiga gerar novos negócios suficientes para justificar os gastos elevados com IA.
A gigante de buscas aposta na combinação de chips próprios, modelos de IA e ferramentas para desenvolvedores como diferencial competitivo. A empresa deve anunciar uma nova geração de semicondutores personalizados, incluindo um chip voltado à inferência — etapa em que modelos de IA já treinados são executados. Com isso, o Google amplia a competição com a Nvidia Corp. em um segmento que cresce rapidamente impulsionado pela adoção de IA.
“Não se trata de oferecer serviços isolados que podem ser combinados, mas de fornecer uma base completa para inovação”, afirmou o CEO do Google Cloud, Thomas Kurian, em publicação no blog da empresa.
Programação com IA
Um dos focos é o mercado de programação com IA, onde executivos reconhecem preocupação em relação à concorrência. Engenheiros no Vale do Silício frequentemente alternam entre ferramentas como Claude Code, da Anthropic, e Codex, da OpenAI, enquanto o Google nem sempre aparece como opção relevante, segundo relatos de fundadores de startups à Bloomberg.
Para atrair desenvolvedores, o Google afirmou que sua plataforma Gemini Enterprise Agent incluirá recursos como Memory Bank e Memory Profile, que permitem aos agentes lembrar interações passadas — uma limitação comum em versões iniciais dessas tecnologias. Outra novidade, o Agent Simulation, ajudará a testar o desempenho das ferramentas antes do lançamento.
A Anthropic, por sua vez, também vem expandindo sua atuação com produtos voltados a trabalhadores de diferentes setores, como o Cowork, área em que o Google busca avançar. A empresa afirmou que funcionários poderão usar o aplicativo Gemini Enterprise, descrito como a “porta de entrada da IA para todos os colaboradores”, para criar agentes sem necessidade de programação.
O Google também anunciou o Projects, uma plataforma de colaboração que integra colegas e agentes de IA. A ferramenta reúne dados de fontes como Workspace, OneDrive, da Microsoft, e conversas corporativas, permitindo que os agentes operem com mais contexto. Outras soluções anunciadas visam garantir que os agentes atuem de forma adequada em ambientes com exigências regulatórias.
Além disso, a empresa revelou novos agentes voltados à cibersegurança, que poderão ser usados para proteger sistemas corporativos. Modelos de IA têm identificado um grande volume de falhas, mas cresce a preocupação sobre como essas vulnerabilidades podem ser exploradas sem salvaguardas adequadas.
