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International Paper anuncia cisão e criação de duas companhias listadas

A decisão ocorre menos de dois anos depois de a IP ter rejeitado uma oferta da brasileira Suzano, que avaliava a companhia em cerca de US$ 15 bilhões

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A International Paper planeja se dividir e realizar o spin-off de seu negócio de embalagens na Europa, enquanto a empresa de 128 anos busca fortalecer suas operações em meio a condições macroeconômicas fracas.

A IP, com sede em Memphis, criará duas empresas independentes de capital aberto, informou em comunicado divulgado na quinta-feira (29), confirmando reportagem anterior da Bloomberg News. A cisão representa uma das mudanças mais drásticas para a gigante de embalagens, fundada em 1898 a partir da combinação de 17 fábricas de celulose e papel.

A decisão ocorre menos de dois anos depois de a IP ter rejeitado uma oferta da brasileira Suzano, que avaliava a companhia em cerca de US$ 15 bilhões. Também vem aproximadamente um ano após a conclusão da aquisição da britânica DS Smith por US$ 9,9 bilhões — um negócio que criou uma líder em embalagens sustentáveis com foco na América do Norte e na Europa. À época, a IP afirmou que os EUA e o Reino Unido “representam os dois maiores polos globais de lucro para embalagens sustentáveis”.

A IP disse que as novas companhias irão englobar seus negócios atuais na América do Norte, incluindo ativos legados da IP e da DS Smith, e um negócio de embalagens na região EMEA (Europa, Oriente Médio e África), também composto por ativos legados das duas empresas. A companhia afirmou que pretende manter uma “participação acionária relevante” no negócio da EMEA e investir cerca de US$ 400 milhões na região neste ano, antes da separação.

O diretor-presidente Andy Silvernail afirmou que a empresa aprendeu a criar valor em cada região. “À medida que nos aprofundávamos nos negócios, ficava cada vez mais evidente que todo o valor está nessas integrações regionais, e foi isso que impulsionou essa tomada de decisão”, disse em entrevista à Bloomberg Television.

As ações da IP, que caíram quase 30% nos últimos 12 meses, subiram até 2,6% nas negociações iniciais desta quinta-feira.

A IP vem promovendo uma reestruturação nos últimos anos, enquanto o setor de embalagens enfrenta uma economia global fraca e excesso de oferta. A indústria se beneficiou de um aumento na demanda por entregas durante a pandemia, mas os custos de manutenção de fábricas antigas passaram a pesar mais sobre as empresas quando as vendas desaceleraram.

No outono passado, a IP reduziu suas projeções para 2025 e 2027, já que os mercados dos EUA e da Europa continuaram fracos. A empresa também afirmou no ano passado que venderia seu negócio global de fibras de celulose, que produz polpa para produtos domésticos, para concentrar esforços em embalagens sustentáveis.

Embora os embarques da indústria de caixas nos EUA também tenham sido afetados pela incerteza comercial e pelo fraco sentimento do consumidor, o spin-off sugere que a IP ainda vê o mercado norte-americano como “muito mais atraente”, segundo Adam Josephson, ex-analista do setor de papel e embalagens.

Já o negócio na EMEA parece ter sido um “grande peso” desde a compra da DS Smith, disse Josephson. “Talvez eles acreditem que os problemas simplesmente não possam ser resolvidos, que há excesso significativo de oferta na Europa. O mercado é muito fragmentado e não é nem de longe tão integrado quanto o da América do Norte.”

A indústria global de embalagens tem investido fortemente no fechamento de fábricas antigas e na otimização de unidades mais novas — um movimento que é “muito mais fácil de realizar” em empresas menores, segundo o analista da Bloomberg Intelligence Ryan Fox.

“Quando você pensa em uma empresa desse porte — com mais de 220 unidades na América do Norte e mais de 250 na Europa — e na alocação de capital entre quase 500 fábricas e instalações, isso é insustentável”, disse Fox. “Não conheço ninguém que consiga fazer isso.”

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Após a cisão, que deve ser concluída em 12 a 15 meses, a nova empresa será listada tanto na Bolsa de Londres quanto na Bolsa de Nova York, segundo o comunicado.

Jefferies Financial Group Inc. e Evercore Inc. assessoraram a IP na transação.

A empresa também informou nesta quinta-feira um prejuízo operacional ajustado de US$ 100 milhões em 2025.

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