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A JBS sobreviveu ao ciclo do boi em 2025. O teste de 2026 promete ser mais duro

Empresa da família Batista lucrou US$ 2 bilhões com receita recorde, mas executivos alertam que margens nos EUA em 2026 são as piores em anos

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A JBS fechou 2025 com a maior receita de sua história, US$ 86 bilhões, e lucro líquido de US$ 2 bilhões. Mas o tom dos executivos que comandam a maior empresa de carnes do mundo foi menos de celebração e mais de preparo para o que vem pela frente.

Wesley Batista Filho, executivo da terceira geração da família e CEO da JBS USA, foi direto na teleconferência de resultados de 2025 da empresa: o início do primeiro trimestre de 2026 tem sido provavelmente o mais difícil que a indústria viveu em muito tempo.

Nos meses de janeiro e fevereiro, segundo Batista Filho, a diferença entre o custo do gado e o preço da carne no atacado chegou a ficar negativo, algo que ele sugeriu ser inédito na história do setor. Março está melhorando, disse, mas com ressalvas.

A declaração coloca em perspectiva o resultado do quarto trimestre, que acabou surpreendendo o mercado. A Beef North America, operação de carne bovina nos EUA que responde por cerca de um terço da receita do grupo, registrou resultado operacional (Ebitda) de US$ 56 milhões no período, uma queda de quase 50% em relação ao ano anterior, mas bem acima do que analistas esperavam.

O CEO da JBS USA explicou que a volatilidade nos preços de gado e carne, acentuada pela escassez de animais, permitiu à empresa conseguir atuar pontualmente no mercado para conseguir melhores preços e, assim, garantir um pouco mais de margem.

O BTG Pactual classificou a operação norte-americana da JBS como a principal surpresa positiva do último trimestre de 2025, o que ajuda a explicar o otimismo do mercado com as ações da empresa, que chegaram a subir mais de 9% no pregão desta quinta-feira (26) na Bolsa de Nova York. O anúncio de US$ 1 por ação em dividendos também ajudou no otimismo.

Por outro lado, o banco reconheceu que o cenário para a disponibilidade de gado segue desafiador. No acumulado de 2025, a unidade registrou prejuízo operacional ajustado de US$ 617 milhões, contra US$ 37 milhões negativos no ano anterior.

Greve no radar

Enquanto o mercado comemorava os números, a JBS lida com a maior greve em uma planta de carne bovina dos Estados Unidos em décadas. Cerca de 3,8 mil trabalhadores da unidade de Greeley, no Colorado, pararam em 16 de março após o sindicato local rejeitar o acordo nacional fechado pela empresa com outras 14 unidades do mesmo sindicato.

A planta de Greeley pode abater cerca de 6 mil cabeças de gado por dia e representa aproximadamente 5% da capacidade de processamento de carne bovina do país, sendo uma das principais plantas da operação dos EUA.

Wesley Batista Filho, CEO da JBS USA (Seeger Gray/WSJ)

A JBS sustenta que a proposta feita aos trabalhadores é justa e inclui um plano de previdência inédito no setor em décadas, mas Batista Filho não quis prever quando pode chegar a um acordo com os grevistas.

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O executivo acrescentou que a fábrica está operando em turno parcial com funcionários que cruzaram a linha de piquete, e que a empresa está redirecionando entregas de gado para outras unidades, como Grand Island, no Nebraska, e Cactus, no Texas, que já operavam abaixo da capacidade por conta da própria escassez de gado.

Boi mais caro no Brasil

Se nos Estados Unidos o cenário é de escassez consolidada, no Brasil essa virada do ciclo pecuário está apenas começando. Os pecuaristas brasileiros passaram a reter fêmeas para reconstruir rebanhos, o que significa menos animais disponíveis para abate e custos crescentes para os frigoríficos.

Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, reconheceu a mudança, mas argumentou que o Brasil é estruturalmente diferente dos Estados Unidos nesse aspecto. A razão, segundo ele, é que a pecuária brasileira vive um processo de modernização acelerada, apostando que a produtividade do pecuarista pode atenuar o ciclo negativo.

Presidente Lula em visita a uma fábrica da JBS em Mato Grosso do Sul (Ricardo Stuckert/PR)

A Friboi, braço de carne bovina da JBS no Brasil, registrou o maior volume de abate da história em 2025, com cerca de 42 milhões de cabeças processadas no país. Para 2026, Tomazoni disse esperar resultados da operação brasileira de carne bovina em linha com os de 2025.

Parte da confiança se apoia na expectativa de que as cotas de importação impostas pela China a diversos países se esgotem antes do fim do ano, aliviando os preços do gado no segundo semestre.

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