A juíza federal Yvonne Gonzalez Rogers concordou na sexta-feira (24) com o pedido de Musk para “simplificar” o caso, deixando apenas duas das 26 acusações apresentadas em sua reclamação original, de novembro de 2024, em pé para irem a julgamento.
A seleção dos jurados está marcada para segunda-feira (27), na corte federal de Oakland, na Califórnia. Musk alega que a startup de inteligência artificial abandonou sua missão fundadora, de operar como organização sem fins lucrativos em benefício da humanidade, ao receber bilhões de dólares em aportes da Microsoft e planejar sua reestruturação como empresa privada de fins lucrativos.
Musk pede até US$ 134 bilhões em indenizações, valor que, em caso de vitória, ele solicita seja direcionado ao braço filantrópico da própria OpenAI. Ele também quer uma ordem judicial restabelecendo o status da companhia como organização de pesquisa sem fins lucrativos, e pede que a juíza determine a remoção de Altman e Brockman de seus cargos. Altman é presidente-executivo e Brockman ocupa a presidência do conselho.
A OpenAI reclamou à juíza, há duas semanas, que os remédios propostos por Musk eram surpresa de última hora e acusou o homem mais rico do mundo de uma “emboscada jurídica” às vésperas do julgamento.
OpenAI, Altman, Brockman e Microsoft negam qualquer irregularidade, e dizem que as acusações de Musk são assédio sem fundamento.
Como será
O julgamento será dividido em duas fases. Na primeira, um júri ouvirá os argumentos e os depoimentos sobre as alegações de Musk, que agora se concentram em duas acusações: enriquecimento ilícito e quebra de fidúcia de uma organização sem fins lucrativos.
O painel emitirá um “veredicto consultivo”, que não será vinculante para Gonzalez Rogers, a quem caberá decidir se Musk provou suas alegações.
Na segunda parte do processo, Gonzalez Rogers ouvirá os argumentos sobre as reparações pedidas por Musk e emitirá uma decisão.
Musk cofundou a OpenAI com Altman e outros em 2015, mas os antigos sócios viraram inimigos amargos nos últimos anos. Musk deixou o conselho da OpenAI em 2018 e, em 2023, cofundou a xAI, empresa de inteligência artificial que se tornou uma das principais rivais da OpenAI.
Em fevereiro do ano passado, a OpenAI rejeitou uma oferta não solicitada de Musk para adquirir os ativos da organização sem fins lucrativos que controla a companhia por US$ 97,4 bilhões.
Meses depois, a empresa completou seu plano de reestruturação como entidade com fins lucrativos, abrindo caminho para captar mais capital e, eventualmente, abrir o capital em bolsa.
©2026 Bloomberg L.P.
