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Com dívida de R$ 1,3 bilhão, Kora Saúde entra com pedido de recuperação extrajudicial

Uma das maiores redes privadas do país, a Kora lida com pressão financeira após crescer com dívida em período de juros baixos

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A Kora Saúde entrou com um pedido de reestruturação extrajudicial após meses de negociações com credores, enquanto enfrenta dificuldades para lidar com crescentes pressões financeiras.

A operadora hospitalar, controlada pela gestora de private equity HIG Capital, busca reestruturar cerca de R$ 1,3 bilhão em dívida financeira como parte de um plano que abrange a holding, de acordo com um documento apresentado na noite de quarta-feira.

Planos de reestruturação separados foram estabelecidos para suas subsidiárias, diz o documento, acrescentando que fornecedores, clientes e pacientes não serão afetados pelo processo.

Com 11 mil colaboradores, a Kora é um dos maiores grupos hospitalares privados do Brasil e o principal no estado do Espírito Santo, onde está sediada. A empresa tem enfrentado pressões de fluxo de caixa e aumento dos custos operacionais após uma expansão financiada por dívida em um período de juros baixos durante a pandemia.

“A elevação dos juros provocou aumento significativo das despesas financeiras, pressionando as margens do grupo e majorando seu nível de alavancagem,” segundo documentos. “O ciclo de expansão foi concebido em contexto macroeconômico substancialmente distinto do atual.”

A empresa não possui títulos globais, e sua dívida é integralmente denominada em moeda local, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

Drama Corporativo

Com o pedido feito na quarta-feira (30), a Kora se junta a um número crescente de empresas brasileiras que buscam medidas de reestruturação. As companhias estão lidando com taxas de juros próximas às máximas de duas décadas por mais tempo do que muitos analistas previam, além do risco de que a guerra no Irã mantenha os juros elevados por ainda mais tempo devido aos altos preços do petróleo.

A produtora de açúcar e etanol Raízen e a rede de supermercados GPA também entraram em reestruturações extrajudiciais neste ano. Enquanto isso, as empresas de saúde Alliança Saúde e Participações e Oncoclínicas buscaram proteção judicial temporária contra credores.

Na quarta-feira, o Grupo CVLB Brasil, que inclui as varejistas Casa & Video e Le biscuit, informou que também entrou com pedido de recuperação judicial.

As empresas no Brasil preferem acordos extrajudiciais de dívida porque são mais rápidos, baratos e menos disruptivos do que reestruturações conduzidas pela Justiça. Uma vez que um número suficiente de credores concorda com o acordo, um juiz o torna vinculante para que as negociações possam continuar. Se as partes não chegarem a um acordo ao final do período de suspensão, a empresa pode entrar com um pedido de recuperação judicial.

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