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Alma do negócio versus visão ultrapassada: Lululemon tenta encerrar guerra pública com fundador

Lululemon que transformou leggings de yoga em fenômeno global de moda esportiva reformulará conselho após meses de disputa pública

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A Lululemon Athletica, marca conhecida globalmente por popularizar o segmento premium de roupas de yoga e athleisure (estilo que mistura peças esportivas e moda casual) chegou a um acordo com seu fundador, Chip Wilson, para encerrar uma disputa que vinha pressionando a companhia há meses.

Embora não tenha operação própria no Brasil, a Lululemon se tornou uma das empresas mais influentes do mercado global de roupas esportivas, competindo com gigantes como Nike e Adidas no segmento de vestuário premium voltado para yoga, corrida e treino. A companhia tem mais de 800 lojas no mundo e faturou US$ 11,1 bilhões em 2025.

Pelo acordo anunciado nesta quarta-feira (27) a empresa aceitará dois nomes indicados por Wilson para o conselho de administração: Laura Gentile, ex-executiva da ESPN, e Marc Maurer, ex-copresidente-executivo da fabricante suíça de tênis On Holding. Um terceiro diretor, especializado em produto e marcas de vestuário, será anunciado até outubro.

Loja da Lululemon em Nova York, nos Estados Unidos. Fotógrafo: Yuki Iwamura/Bloomberg

Sobre a briga

Em troca, Wilson, que ainda detém cerca de 8,7% das ações da companhia, concordou em interromper críticas públicas à empresa pelos próximos 18 meses. O acordo encerra um conflito que vinha se intensificando desde o ano passado.

O fundador acusava a companhia de ter “perdido sua alma” e de priorizar metas de curto prazo em detrimento da inovação de produtos. Em dezembro, ele chegou a iniciar uma disputa formal por mudanças no conselho da empresa.

A Lululemon, por sua vez, respondeu afirmando que Wilson tinha “visões ultrapassadas” e que suas posições poderiam prejudicar a companhia. As negociações entre as partes chegaram a fracassar na semana passada, aumentando o risco de uma batalha aberta na assembleia de acionistas marcada para junho.

A trégua ocorre em um momento delicado para a varejista canadense. Após anos de forte crescimento, a empresa enfrenta desaceleração nas vendas nos Estados Unidos, perda de espaço para concorrentes como Alo Yoga e Vuori, além de críticas relacionadas à qualidade de alguns produtos.

A companhia também prepara uma troca de comando. A ex-executiva da Nike Heidi O’Neill assumirá como CEO em setembro, com a missão de recuperar o crescimento e reforçar a relevância da marca em um mercado cada vez mais competitivo. As ações da Lululemon chegaram a subir cerca de 4% após o anúncio do acordo, embora ainda acumulem queda próxima de 40% no ano.

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