Os termos financeiros não foram divulgados, embora a G-III tenha dito em um comunicado que planeja investir até US$ 425 milhões no empreendimento 50-50. Jacobs, fundador da marca, continuará como diretor criativo da grife de luxo mais acessível, disseram as empresas na quinta-feira.
A marca Marc Jacobs se soma ao portfólio crescente da WHP Global, que inclui Vera Wang e Rag & Bone. A aquisição levará a receita anual do grupo de gestão de marcas para mais de US$ 9,5 bilhões, segundo a empresa.
Controlada pelo bilionário Bernard Arnault, a LVMH possui cerca de 75 marcas, incluindo Louis Vuitton, Christian Dior e Loewe, e mantém participação majoritária na Marc Jacobs desde 1997. O acordo permite ao grupo aproveitar uma reestruturação de anos na marca, ao mesmo tempo em que se desfaz de um negócio no segmento de luxo acessível para focar em suas ofertas mais sofisticadas.
A Marc Jacobs não se encaixava perfeitamente na fórmula típica de desenvolvimento de marcas da LVMH, que envolve elevar as etiquetas ao segmento premium e expandi-las globalmente. A empresa também vendeu a marca Donna Karan para a G-III em 2016, após dificuldades em gerar crescimento lucrativo no negócio.
A Bloomberg havia reportado em 2024 que a LVMH estava avaliando opções para a Marc Jacobs.
As ações da LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton chegaram a cair até 1,8% no pregão em Paris e acumulam queda de quase 30% no ano.
Papel na Louis Vuitton
Marc Jacobs passou 16 anos como diretor artístico da Louis Vuitton, ajudando a transformar a fabricante de malas na maior marca de luxo do mundo, adicionando prêt-à-porter e colaborando com artistas como Kanye West.
O nova-iorquino deixou o cargo em 2013 e retornou à sua marca própria, que havia fundado junto com o sócio Robert Duffy em 1984.
Embora tenha sido incomum para a LVMH, tradicionalmente compradora de marcas, vender ativos, isso pode estar mudando: no ano passado, a diretora financeira Cécile Cabanis disse em teleconferência de resultados que a empresa não manteria marcas “se acreditarmos que elas não são um bom complemento ou não somos o operador adequado”.
A LVMH também já vendeu participações nas marcas Off-White e Stella McCartney.
Luxo mais exclusivo
A demanda por luxo esfriou nos últimos anos, já que até gigantes do setor como LVMH e Hermès viram o crescimento desacelerar. As expectativas no início do ano de uma retomada do setor desapareceram com o início da guerra no Oriente Médio, que reduziu a demanda na região e piorou o cenário econômico global.
Nesse ambiente de desaceleração, marcas mais exclusivas, como a LVMH Loro Piana e a Brunello Cucinelli, fabricante de roupas de cashmere de alto padrão, têm se saído melhor do que marcas de luxo mais acessíveis.
Como parte do acordo da Marc Jacobs, a G-III, que possui marcas como Karl Lagerfeld e Sonia Rykiel, vai “adquirir e operar certas partes dos negócios globais diretos ao consumidor e de atacado da marca”, segundo o comunicado.
