Newsletter

Mesmo com tensão no Oriente Médio, MBRF mantém vendas e aposta em demanda aquecida

Dona da Sadia diz não ver impacto logístico relevante na região e aponta consumo resiliente

Publicidade

A MBRF, dona da Sadia, Perdigão e National Beef, afirmou que não tem sentido impacto relevante da escalada de tensão no Oriente Médio sobre suas operações, em um momento em que a demanda por alimentos na região segue aquecida – mesmo diante do aumento dos custos logísticos e da instabilidade geopolítica.

Segundo o CEO Miguel Gularte, a estratégia de posicionar estoques antecipadamente na região permitiu mitigar riscos e garantir o abastecimento dos clientes, indicando que o consumo segue firme em mercados do Oriente Médio e Norte da África, região conhecida como Mena, na sigla em inglês.

“Numa situação de incerteza, o sujeito compra comida e água. A comida nós estamos vendendo”, afirmou Gularte, em conversa com jornalistas nesta quarta-feira (18), sobre os resultados do quarto trimestre de 2025.

Resultados

No quarto trimestre, a MBRF reportou receita líquida de R$ 43,9 bilhões, alta de cerca de 6% em relação aos R$ 41,3 bilhões de igual período de 2024. O resultado operacional (Ebitda) ajustado ficou em R$ 3,41 bilhões, recuo de cerca de 9% no mesmo comparativo.

Já o lucro líquido despencou para R$ 91 milhões, queda de aproximadamente 91% em relação aos R$ 1,12 bilhão de um ano antes – período inflado por ganhos não recorrentes.

Miguel Gularte, CEO da BRF (Ilustração João Veloso)

No consolidado do ano, a receita líquida cresceu 12% na comparação com 2024, alcançando R$ 164 bilhões, mas o lucro líquido recuou 77,9%, para R$ 358 milhões. O resultado foi impactado pelo embargo à carne de frango em meio a casos de gripe aviária, além de uma menor rentabilidade na operação dos Estados Unidos, em meio ao ciclo adverso do gado.

Ao mesmo tempo, o resultado financeiro foi pressionado pelo aumento do endividamento – influenciado pela distribuição de dividendos no contexto da fusão entre BRF e Marfrig – e pelo ambiente de juros elevados. “Tivemos uma queda das margens e, por outro lado, um custo financeiro maior”, afirmou o CFO José Ignácio Scoseria Rey.

Perspectiva da MBRF

Apesar disso, a empresa mantém uma visão positiva para o mercado global de proteínas. Segundo a companhia, a oferta de frango deve crescer de forma moderada, enquanto a demanda segue aquecida, com destaque para China e Oriente Médio, sustentando os preços internacionais.

Publicidade

Leia mais: O novo rosto da MBRF: aos 30 anos, Marquinhos Molina lidera a ofensiva da Sadia no Oriente Médio

Para 2026, a MBRF avalia que o cenário ainda será desafiador nos Estados Unidos, onde o ciclo pecuário segue pressionando a rentabilidade da indústria, em meio à menor oferta de gado em décadas.

Com oferta restrita, os frigoríficos enfrentam custos elevados e margens comprimidas. “2026 vai continuar sendo um cenário desafiador em termos de oferta de gado”, afirmou Tim Klein, CEO da National Beef, subsidiária americana da MBRF.

O executivo vê algum alívio com o fechamento de capacidade por concorrentes, mas indica que uma recuperação mais relevante do ciclo só deve ocorrer a partir de 2027.

Exit mobile version