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‘McMounjaro’: McDonald’s testa cardápio para quem usa canetas emagrecedoras

Rede de fast-food já tem opções de alto teor proteico em teste nos EUA para consumidores que usam Mounjaro e Ozempic

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A rede de fast food McDonald’s está adaptando seu cardápio para as mudanças de consumo que os medicamentos análogos GLP-1, como Mounjaro e Ozempic.

A analistas que acompanhavam a teleconferência de resultados do quarto trimestre de 2025, o CEO, Chris Kempczinski, atribuiu ao uso das “canetas emagrecedoras” o interesse dos clientes por produtos ricos em proteína, por isso McDonald’s já tem um cardápio com opções de alto teor proteico. “À medida que a adoção cresce, sabemos que o comportamento dos consumidores muda”.

A vice-presidente Jill McDonald entrou na conversa com exemplos como os Snack Wraps, o sanduíche Sausage Biscuit e as tiras de frango McCrispy Strips.

“Mas também estamos vendo mudanças como, talvez, menos ‘beliscos’ ao longo do dia, mudanças em algumas das bebidas que eles consomem, menos bebidas açucaradas”, disse Kempczinski. “Então tudo isso está entrando na conta do que estamos experimentando e testando por aí.”

As falas dos executivos foram específica sobre os cardápios dos Estados Unidos – na América do Sul, a operação do McDonald’s é de responsabilidade de masterfranqueadora Arcos Dorados. No Brasil, maior mercado da Arcos, as lojas do McDonald’s servem saladas com frango e hambúrguer.

Mudanças de hábitos

O consumo de medicamentos GLP-1 não para de crescer globalmente. Um especialista em bens de consumo da EY disse ao Business Insider no ano passado que 10% de toda a população dos EUA estava em algum tipo de medicamento GLP-1.

Esses remédios, como Ozempic e Wegovy, são conhecidos por reduzir o apetite, levando os usuários a optar por porções menores.

Além do McDonald’s, a rede americana Shake Shack lançou seu “Good Fit Menu”, com opções ricas em proteína, sem glúten, vegetarianas e “amigáveis para GLP-1”. O menu incluía três hambúrgueres envoltos em alface no lugar do pão.

Menu Good Fit da rede Shake Shack, dos EUA (Divulgação)

No Brasil, esses medicamentos movimentaram cerca de R$ 11 bilhões em 2025 segundo estimativas do UBS BB e esse montante deve dobrar de tamanho em 2026, superando os R$ 20 bilhões – impulsionado pela queda da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy em março.

Por aqui, restaurantes também começam a adaptar seus cardápios e fabricantes ampliam a oferta de produtos ricos em proteína, como tem mostrado o InvestNews. Empresas criam produtos voltados a um consumidor que come menos, mas busca mais valor nutricional, em especial proteínas.

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A Seara, da JBS, lançou no ano passado a linha “Protein”, uma coleção de refeições congeladas com até 30 gramas de proteína adicionada, criada para atender um público que busca se alimentar melhor – e, por tabela, os usuários dos análogos de GLP-1.

Antes de chegar aos supermercados, o produto foi testado com um grupo de 200 consumidores. Com preço sugerido de R$ 29,90, a linha é ligeiramente mais cara que as versões tradicionais, que custam R$ 19,90, mas traz uma proposta nutricional diferente.

As mudanças também estão promovendo adaptações de estratégia pelos varejistas alimentares. Segundo o CEO do Assaí, Belmiro Gomes, esse novo cenário levou a companhia a acelerar o plano de inaugurar farmácias próprias. A rede de atacarejo estruturou o projeto da farmácia Assaí: serão inauguradas 25 unidades até julho, todas dentro do complexo comercial de suas lojas. 

No Assaí, a queda na venda de indulgências — as “besterinhas” do dia a dia — é mais evidente.
“Há menos consumo de álcool e, depois, de doces. Em contrapartida, aumenta o consumo de proteína”, diz o CEO.

Até mesmo alimentos tradicionalmente vistos como mais nutritivos, como o arroz, já refletem a mudança de comportamento alimentar estimulada pelos medicamentos. “Nos carboidratos primários há uma deflação muito maior do que o movimento comum dos preços de commodities. O preço do arroz tem caído mais pela retração da demanda do que pelo excesso de oferta”, afirma.

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