O perfil de Freixe reúne quase 64 mil seguidores, cerca de 20 mil a mais que Navratil, e até o início de março ele também aparecia como “Top Voice”, designação concedida por convite pelo LinkedIn a líderes reconhecidos em suas áreas. Navratil continua com essa certificação.
A saída de Freixe da Nestlé no ano passado foi a disputa de conselho de maior repercussão na Suíça desde que o então presidente do Credit Suisse, Urs Rohner, demitiu Tidjane Thiam em meio a um escândalo de espionagem corporativa.
Romance no escritório
O declínio de Freixe começou ao recomendar a promoção de uma executiva de marketing de sua antiga equipe. Colegas passaram a suspeitar que o apoio de Freixe à profissional — que tinha cerca de 20 anos de empresa — ia além do âmbito estritamente profissional.
Após ajustes salariais e suspeitas de que a executiva repassava informações a Freixe, uma investigação interna foi aberta. Embora uma primeira apuração não tenha confirmado irregularidades, uma segunda investigação levou à demissão do executivo sem pagamento de indenização, em setembro. A Nestlé afirmou que ele violou o código de conduta ao não divulgar o relacionamento com uma subordinada direta.
Freixe foi dispensado sem pacote de saída e teve seu telefone apreendido sem aviso prévio ou oportunidade de proteger suas ferramentas de comunicação — inclusive para, por exemplo, atualizar seu perfil no LinkedIn.
Alguns dias após sua saída, Freixe, de 63 anos, escreveu na plataforma que havia conseguido recuperar o acesso à conta e publicou uma mensagem direcionada ao sucessor Navratil e aos funcionários da Nestlé desejando sucesso. Desde então, porém, seu perfil não foi atualizado para indicar que ele deixou a empresa.
Freixe não respondeu a repetidos pedidos de comentário enviados por meio de sua conta no LinkedIn.
Mudanças em perfis na rede costumam ser feitas voluntariamente pelos próprios executivos. No mês passado, por exemplo, quando o ex-CEO da Sanofi, Paul Hudson, foi destituído, sua página no LinkedIn foi atualizada quase imediatamente para refletir a transição — algo que destaca como esses currículos digitais sinalizam publicamente mudanças na liderança.
Segundo uma pessoa familiarizada com o assunto, a Nestlé pediu a Freixe que altere o perfil — que anteriormente era gerenciado pela equipe de comunicação corporativa da empresa — e forneceu todas as informações necessárias para que ele acesse a conta.
Ainda não está claro se a companhia pretende adotar medidas mais formais para resolver a questão, o que poderia incluir denunciar o perfil ao LinkedIn por violação das políticas de confiança e segurança da plataforma. A Nestlé não quis comentar o caso.
