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A Meta está ganhando a corrida dos óculos inteligentes, mas o desafio é escalar

Vendas triplicam, Meta domina o mercado e aposta em produção em massa para transformar smartglasses em um negócio relevante

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A Meta Platforms, dona do Instagram, Facebook e WhatsApp, construiu discretamente um negócio relevante em óculos inteligentes. Agora a questão é se a empresa de redes sociais consegue levar o produto ao grande público antes que os concorrentes alcancem.

Os modelos Ray-Ban e Oakley com tecnologia da Meta parecem estar decolando. Mais de 7 milhões de unidades foram vendidas em 2025, segundo a EssilorLuxottica, parceira industrial responsável pela fabricação. O volume é mais que o triplo das cerca de 2 milhões de unidades comercializadas somadas em 2023 e 2024.

A demanda nos Estados Unidos foi tão forte que as empresas anunciaram em janeiro a suspensão temporária da expansão para outros países.

Hoje, a Meta domina um setor ainda pequeno, mas em rápida expansão. A companhia detinha 73% do mercado global de óculos inteligentes no primeiro semestre de 2025, segundo a Counterpoint Research. A consultoria projeta crescimento anual composto superior a 60% até 2029.

Os números impressionam – mas ainda não movem os ponteiros dentro das receitas da Meta. A divisão Reality Labs, que abriga os óculos inteligentes, faturou US$ 2,21 bilhões em 2025, ante US$ 2,15 bilhões no ano anterior.

Para uma empresa que gera mais de US$ 200 bilhões em receita anual, o impacto ainda é modesto. A Meta não detalha quanto desse faturamento vem especificamente dos óculos.

Enquanto isso, as perdas operacionais da Reality Labs chegaram a US$ 19,2 bilhões no ano passado, e a empresa projeta prejuízo semelhante neste ano. Embora a divisão inclua vários projetos, a pressão para transformar experimentação em receita é crescente.

Capacidade de produção

Os óculos inteligentes são vistos como a principal aposta para conter essas perdas. Segundo a Bloomberg, Meta e EssilorLuxottica avaliam dobrar a capacidade de produção para 20 milhões de unidades neste ano — ou até triplicar para 30 milhões, dependendo da demanda.

Seriam volumes gigantes. A IDC estima que o mercado global de dispositivos de realidade estendida – categoria que inclui óculos e headsets – vendeu 14,5 milhões de unidades em 2025. A consultoria projeta cerca de 16 milhões de óculos inteligentes vendidos em 2026 e 23 milhões em 2027.

Ou seja: a Meta tenta crescer acima do próprio mercado enquanto mantém sua liderança — e faz isso num cenário de concorrência crescente.

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Concorrentes

O Google confirmou recentemente que voltará ao segmento em 2026. A empresa trabalha com a grife Kering e a fabricante Warby Parker no desenvolvimento de óculos com inteligência artificial embarcada.

A Snap, dona do Snapchat, anunciou em janeiro a criação de uma subsidiária dedicada exclusivamente a seus óculos de realidade aumentada, a Specs, abrindo caminho para investidores externos e expansão como marca independente.

A concorrência também vem da China. Alibaba e Xiaomi lançaram seus próprios modelos no ano passado, além de dezenas de startups espalhadas pelo mundo.

A Meta está na frente – mas manter a liderança exigirá transformar um produto promissor em um negócio de escala global.

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