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Meta fecha acordo de US$ 100 bilhões com AMD por chips e pode virar acionista relevante

A Meta comprará chips da AMD e computadores projetados para executar modelos de inteligência artificial ao longo de cinco anos

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A Meta vai implantar 6 gigawatts em equipamentos de data center baseados em processadores da Advanced Micro Devices (AMD), em um contrato avaliado em mais de US$ 100 bilhões que pode resultar na companhia se tornando dona de até 10% das ações da fabricante de chips.

O acordo, anunciado nesta terça-feira (24), representa uma vitória estratégica para a AMD em sua tentativa de reduzir a distância para a líder do setor, a Nvidia, no mercado de GPUs — os chips que impulsionam o boom da IA.

A Meta comprará chips da AMD e computadores projetados para executar modelos de inteligência artificial ao longo de cinco anos, começando no segundo semestre de 2026. A série de transações valerá “dezenas de bilhões” de dólares por gigawatt, segundo a CEO da AMD, Lisa Su.

Como parte do acordo, a Meta receberá warrants para comprar 160 milhões de ações da AMD em etapas, informaram as duas empresas. As ações serão liberadas conforme o projeto e o preço das ações da AMD atinjam determinados marcos, transformando a Meta em uma grande acionista.

O acordo é o passo mais recente em uma colossal onda de investimentos da Meta, dona do Facebook e do Instagram. O CEO Mark Zuckerberg tornou a IA a principal prioridade da empresa, prometendo destinar centenas de bilhões de dólares para “antecipar agressivamente” a expansão da capacidade computacional.

As ações da AMD subiram até 15% nas negociações pré-abertura em Nova York. Já as ações da Meta avançaram 0,6%.

No mês passado, Zuckerberg anunciou uma nova iniciativa chamada Meta Compute, focada em construir “dezenas de gigawatts nesta década e centenas de gigawatts ou mais ao longo do tempo” para garantir vantagem estratégica sobre concorrentes.

Um gigawatt representa a produção de um reator nuclear — energia suficiente para abastecer cerca de 700 mil residências.

O anúncio sinaliza que a AMD está acompanhando o ritmo da rival maior Nvidia, que divulgou sua própria parceria com a Meta na semana passada. Também mostra que os investimentos em equipamentos de IA continuam acelerando, mesmo enquanto alguns investidores manifestam receio de uma possível bolha.

Para a Meta, o acordo com a AMD trará componentes personalizados às suas necessidades. A empresa também terá a capacidade de influenciar o design desses semicondutores daqui para frente.

“Nossas ambições são bastante altas”, afirmou Santosh Janardhan, chefe global de infraestrutura da Meta, responsável pelos data centers e sua arquitetura técnica. A Meta planeja continuar avançando com seus próprios chips personalizados de IA desenvolvidos internamente e seguirá comprando da Nvidia, utilizando os chips para diferentes cargas de trabalho.

“Na escala de que estamos falando, há espaço para os três”, disse Janardhan em entrevista a repórteres.

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Janardhan, que agora se reporta diretamente a Zuckerberg, acrescentou que a empresa ainda não decidiu quais de seus data centers utilizarão os novos chips entregues por meio dessa parceria ampliada com a AMD. Espera-se que os processadores ajudem na fase de inferência da IA — etapa em que modelos treinados são colocados em uso.

Lisa Su afirmou que a Meta, que já ajudou a influenciar o design dos chips da AMD, receberá versões personalizadas de seu próximo acelerador, o MI450, e de produtos sucessores. A possibilidade de definir mais precisamente suas necessidades foi parte do motivo para o compromisso com a AMD, disse Janardhan.

“O que buscamos é crescer em grande escala e acelerar”, disse Su. “Já estávamos em um caminho muito positivo com a Meta, mas isso eleva nosso relacionamento a outro nível.”

A Meta já é o segundo maior cliente da AMD e agora será ainda mais vital para o crescimento da fabricante de chips. A AMD reportou US$ 34,6 bilhões em vendas no ano passado e está a caminho de aumentar a receita em 34% neste ano, segundo estimativas de Wall Street. A adição de até US$ 10 bilhões em vendas extras aceleraria seus esforços para ganhar terreno frente à Nvidia.

Mesmo com esse crescimento, investidores da AMD tornaram-se mais céticos nas últimas semanas. Eles temem que as empresas impulsionadas pela IA não consigam expandir rápido o suficiente para justificar suas avaliações de mercado. Após as ações da AMD dispararem 77% em 2025, elas acumulam queda de 8,2% até agora neste ano.

A parceria com a Meta parte do pressuposto de que as ações da AMD estão apenas no início de uma alta mais longa. Parte dos warrants da Meta só será exercida se o preço da ação atingir US$ 600. O papel fechou a segunda-feira a US$ 196,60.

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