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Nike enfrenta perspectiva pessimista de vendas e complica plano de recuperação

Estoques altos na Europa e no Oriente Médio e impactos da guerra podem aumentar a volatilidade nos negócios da Nike

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As ações da Nike despencaram após a varejista divulgar uma perspectiva surpreendentemente pessimista para o próximo ano, complicando os esforços do CEO Elliott Hill de reverter o desempenho do negócio.

A receita deve cair de 2% a 4% no trimestre atual e registrar queda de dígitos baixos para o restante do ano civil, informou a gestão aos investidores em teleconferência na terça-feira à noite. Analistas consultados pela Bloomberg esperavam crescimento de 2% nas vendas neste trimestre e ganhos maiores ao longo do ano.

“Este é um trabalho complexo, e algumas partes estão levando mais tempo do que eu gostaria”, disse Hill na teleconferência. “Mas a direção é clara, a urgência é real, e a base está ficando mais forte.”

Nike enfrenta desafios globais

A Nike, que tem tentado recuperar sua dominância de mercado após um prolongado período de queda nas vendas, enfrenta obstáculos em todo o mundo.

A empresa tem estoques elevados na Europa e no Oriente Médio e sofre com interrupções no tráfego devido à guerra, o que, segundo alertou, pode gerar mais volatilidade em seus negócios. Esses desafios, somados à fraqueza na Grande China e em outras regiões, ofuscaram os bons resultados na América do Norte.

As ações da Nike chegaram a cair 9,8% nas negociações pré-mercado na quarta-feira. Até o fechamento de terça-feira, o papel havia recuado 17% neste ano.

Hill está trabalhando para colocar o negócio principal da Nike de volta nos trilhos, com foco maior em esportes como basquete e corrida, mas a pressão para reverter as quedas na China e na marca Converse — cujas vendas caíram mais do que o esperado no trimestre passado — é crescente.

Vendas e desempenho recente

No terceiro trimestre fiscal, as vendas foram de US$ 11,3 bilhões, superando a média das estimativas compiladas pela Bloomberg, mas estáveis em relação ao ano anterior. Enquanto os consumidores norte-americanos mostram resiliência, houve novos retrocessos na Europa e no Oriente Médio.

“A guerra provavelmente está impactando EMEA (Europa, Oriente Médio e África) e tarifas sobre a margem bruta”, disse Poonam Goyal, analista sênior da Bloomberg Intelligence. Ela prevê que essas pressões “vão persistir no curto prazo.”

Os desafios também incluem a Grande China, onde as vendas devem cair cerca de 20% no trimestre atual. O mercado chinês tem sido cada vez mais movido por descontos nos últimos anos, à medida que os consumidores retraem gastos devido à desaceleração econômica, crise imobiliária e incerteza no mercado de trabalho. A concorrência também se intensificou.

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O processo de reestruturação da Nike na China é “doloroso”, segundo Randal J. Konik, analista da Jefferies, mas a “boa notícia” é que há progresso na redução do excesso de estoque no continente.

O segmento de vestuário esportivo foi outra área de preocupação no último trimestre, com altos índices de descontos. O setor registrou quedas de dois dígitos.

“Retomar um negócio saudável de vestuário esportivo é essencial e vital para nossa recuperação, pois continuará sendo uma parte crítica do mercado e do nosso crescimento”, disse Hill.

Resultados e expectativas futuras

Os resultados do último trimestre, que incluíram boa parte do período de compras de fim de ano, mostraram recuperação contínua da receita de atacado na América do Norte. A empresa espera crescimento modesto na região pelo restante do ano, com cadernos de pedidos fortes para o verão e recuperação de espaço nas prateleiras em relação aos concorrentes.

A Nike planeja divulgar orientações de longo prazo em um evento para investidores no outono.

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