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No Japão, pacotes de batata chips ficam em preto e branco por causa da guerra no Irã

A maior fabricante de batatas chips do Japão passará temporariamente a usar embalagens em preto e branco em alguns de seus produtos mais populares

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A guerra no Irã está tirando as cores das prateleiras de supermercados japoneses. A Calbee, maior fabricante de batatas chips do Japão, informou nesta terça-feira (12) que passará temporariamente a usar embalagens em preto e branco em alguns de seus produtos mais populares devido à escassez de tintas provocada pelo conflito no Oriente Médio.

A companhia, sediada em Tóquio, revisará o design de cerca de 14 produtos, incluindo batatas chips, crackers de camarão e granola de frutas, reduzindo as embalagens para apenas duas cores de tinta. Os novos pacotes começarão a chegar às lojas japonesas em 25 de maio.

Segundo a empresa, a mudança ocorre por dificuldades na obtenção de matérias-primas como a nafta, derivado petroquímico do petróleo usado na produção de tintas e embalagens.

Com a alteração, consumidores das batatas chips sabor sal tradicional deixarão de ver o tradicional pacote laranja e azul da marca, enquanto os sabores de algas marinhas perderão as cores amarela e verde. O sabor consommé também será afetado.

“A mudança se aplica apenas a um número limitado de produtos e não afetará a qualidade”, afirmou a Calbee em comunicado.

A crise é mais um sinal do impacto crescente da escassez de matérias-primas nos mercados globais. Fabricantes ao redor do mundo vêm enfrentando dificuldades para obter petroquímicos e outros insumos básicos usados em bens de consumo.

No Japão, a Toto chegou a suspender temporariamente pedidos de banheiras plásticas pré-fabricadas, retomando as encomendas após conseguir apoio de fornecedores e do governo.

Outras empresas também avaliam medidas semelhantes. A Itoham Yonekyu, fabricante de carnes processadas, considera reduzir o volume das embalagens e revisar o número de cores utilizadas nas tintas de impressão. Designs mais simples, como embalagens em preto e branco, também estão sendo estudados.

Oriente médio

As preocupações com a oferta de nafta e outros derivados de petróleo cresceram desde que o Irã fechou o Estreito de Hormuz no fim de fevereiro, em resposta a ataques dos Estados Unidos e de Israel. A substância é usada na produção de plásticos, medicamentos e diversos bens industriais.

Segundo o governo japonês, cerca de 40% da nafta consumida pelo país normalmente vem do Oriente Médio. Outros 40% são produzidos domesticamente, enquanto o restante é importado de outras regiões. O governo afirmou ter ampliado importações de países como Estados Unidos, Peru e Argélia, além de elevar a produção doméstica.

Ainda assim, empresas seguem preocupadas. Pesquisa realizada em abril pela Seidanren, entidade que representa fabricantes de bens de consumo no Japão, mostrou que 44% de mais de 100 companhias consultadas já sentiram impactos da escassez de nafta. Três quartos afirmaram esperar efeitos na produção dentro de três meses caso os problemas de abastecimento persistam.

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O governo japonês demonstrou surpresa com a decisão da Calbee. A primeira-ministra Sanae Takaichi afirmou recentemente que o país garantiu estoques suficientes de nafta e outros derivados de petróleo para durar até o próximo ano.

“As autoridades não receberam relatos indicando problemas imediatos de oferta para tinta de impressão ou nafta”, afirmou o vice-secretário-chefe do gabinete, Kei Sato, durante coletiva nesta terça-feira.

Segundo Shinichi Takei, diretor executivo da Associação Japonesa de Fabricantes de Tintas de Impressão, a escassez de petroquímicos foi mais intensa nos primeiros dias do conflito com o Irã, mas melhorou desde então.

“Acreditamos que a decisão da Calbee de limitar suas embalagens a duas cores reflete um esforço para conservar recursos diante das condições futuras”, afirmou.

As ações da Calbee caíram 1,7% nesta terça-feira, pressionadas inicialmente por reportagens da emissora pública NHK e do jornal Nikkei.

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